O COVID-19 – é incrível a letalidade dessa doença, mas o mais incrível é se encontrar  uma pessoa que escapou dessa doença, voltar para contar sua história a via crucis que viveu.
Estou sendo cobrado pelos leitores de minha fanpage por postagens, novidades, mas anunciar dados  que se relacionam com a doença, assustam mais que dão prazer de ler... essa ausência de postagens  esmorecem mesmo, da vontade de deixar a comunicação fluir através dos profissionais da comunicação social mesmo.

Cada um de nós temos conhecimento de um amigo, nem que seja do amigo do amigo que a Covid-19 ceifou-lhe a vida, conhecemos um vizinho... um cara lá da esquina...

Perdemos da vida o Sargento Nonato, grande policial da briosa Policia Militar, minha família perdeu para a morte um rapaz filho de uma estimada senhora  que depois de tanto tempo entubado, superou os males e recebeu sob festa, sua alta curada. 24 horas depois ocorreu-lhe morte súbita.  

Evidentemente que do enfrentamento ao COVID-19 também existem grandes vitorias e merece destaque pela  peculiaridade que a historia envolve a pessoa.

Cleidiane Carvalho Coordenadora  Geral do Distrito Sanitário Indígena com admirável trabalho  executado em defesa da saúde indígena e atualmente  com sua equipe multidisciplinar distribuídas nas Terras Indígenas, tanto amor, cuidado, trabalho em prol da saúde, não conseguiu  escapar do agressivo COVID-19. De bom é que ela mesma conta a historia.

Encontro de Coordenadores de DSEIs e reunião do Fórum de p… | Flickr
Cleidiane Carvalho - Coord DSEI-TAP
Fiquei doente por covid-19, fiquei grave e vi o quanto a vida é rápida e passageira. Diante do quadro clínico se agravando pensei o quanto deveria e poderia mudar para meu bem pessoal e espiritual.
Somos simples prestadores de serviço cuidando dos bens materiais que possuímos aqui na terra. E na agonia o que fiz? Para quê correr tanto? O que levarei? Como ficarão os demais?
O quadro continua latente e a quentura dilacera o corpo aos poucos, a vitalidade de antes já não é mais a mesma. O corpo tenta, porém em vão.
A chagas continua a levar os sonhos, esperanças e talvez até o egoísmo humano. A agonia vai penetrando o que tenta sobreviver e o calor continua sufocante, a dor no peito vai rasgando o pano velho e podre. Sou apenas uma matéria ambulante de 39 anos que se deixa consumir aos poucos pela fraqueza das pernas que já não suportam o peso do esqueleto?!
Quem somos afinal? Cadê a matéria forte? Cadê a força? Cadê os amigos? É os familiares? 
Um conjunto de chagas se aproxima e a temperatura mostra que os soldados já não protegem a grande célula: uma máquina em curto?
Lute! Chame os soldadinhos, recordo a bela aula de imunologia e recordo o cuidar ao próximo. Estaria eu próximo do fim?
Tentarei e lutarei, percebo o quão frágil estou ou estaria eu no perto da morte? Será apenas uma lição? Para entender o quanto somos frágeis, apenas mera matéria.
Por fim, os fármacos chegam devagar, ajudam e o organismo reage!
Aos poucos fica a lição do alimento da alma, nos ensinando que o cuidar do próximo é essencial.
O amanhã não é seu e o hoje também não, portanto não crie expectativas  Enfermeira Cleidiane Carvalho.