Lilia Saldanha, dona de cabaré  - Arquivo pessoal

Abinoan Santiago
Colaboração para Universa
02/07/2020 04h00
Na pequena São José do Brejo da Cruz, no sertão da Paraíba, Lilia Saldanha é campeã em quebrar tabus. Ao mesmo tempo vereadora e dona de bordel, ela assumiu publicamente a homossexualidade após os 40. Em meio ao conservadorismo na cidade coronelista, ainda se tornou presidente da Câmara de Vereadores.
Lilia, que está no quinto mandato na Câmara, se elegeu pela primeira vez em 1996. Na terceira disputa, em 2004, perdeu. Ainda no cargo, não ligou para a liturgia da função e montou um bar, em Caicó, no Rio Grande do Norte, a 70 quilômetros de São José, para juntar dinheiro e pagar as dívidas da campanha. Era a gênese do Cabaré Sol e Lua, hoje o mais tradicional do semiárido potiguar.
"Como depois de toda eleição, o candidato está sempre endividado, então abri um bar", diz Lilia. A princípio, a vereadora não queria que o bar fosse um bordel. Mas o negócio acabou tomando esse rumo quase por acaso quando uma amiga da sua então namorada que trabalhava num bordel pediu para atuar só por uma noite no bar. "Essa menina com que eu estava me envolvendo disse que uma amiga dela brigou no cabaré onde trabalhava. À noite, essa amiga disse que iria trabalhar no bar. O caixa nesta noite foi equivalente ao salário de três vereadores", lembra a empresária. "Falei para ela ficar mais três dias. No terceiro dia, ela foi embora. E retornou com duas amigas. Assim virou um cabar... - Veja mais em https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/07/02/l

__"Como depois de toda eleição, o candidato está sempre endividado, então abri um bar", diz Lilia. A princípio, a vereadora não queria que o bar fosse um bordel. Mas o negócio acabou tomando esse rumo quase por acaso quando uma amiga da sua então namorada que trabalhava num bordel pediu para atuar só por uma noite no bar. "Essa menina com que eu estava me envolvendo disse que uma amiga dela brigou no cabaré onde trabalhava. À noite, essa amiga disse que iria trabalhar no bar. O caixa nesta noite foi equivalente ao salário de três vereadores", lembra a empresária. "Falei para ela ficar mais três dias. No terceiro dia, ela foi embora. E retornou com duas amigas. Assim virou um cabaré... 
O Sol e Lua completa 16 anos em 2020. Ele ganhou projeção após uma "live", para ajudar as meninas que trabalham lá e que estão paradas desde o início da pandemia, viralizar.

Foram mais de 160 mil visualizações no YouTube e toneladas de alimentos arrecadados. "Muitas meninas passaram pelo meu bar. Virou uma tradição na cidade porque é um cabaré de respeito. Todo mundo se respeita ali." Comandar Câmara é mais complicado que cabaré Hoje, aos 46 anos, Lilia diz que, apesar dos estigmas que cercam a sua orientação sexual e o bordel, onde ela sofre mais preconceito é no cargo de vereadora. "Estou cansada de estar na fila do banco e ouvir dizer que todos os políticos são ladrões.