Dados mostram que 36% das mulheres na região já passaram por períodos em que não puderam comprar produtos de higiene menstrual. A região Norte do país é uma das mais afetadas pelo problema.

 terça-feira, 15/02/2022, 09:32 - Atualizado em 15/02/2022, 09:32 -  Autor: FOLHAPRESS

O porto de Camará, no Marajó é um dos pontos de acesso a Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari, no Marajó. | Marco Santos/Ag. Pará

Simone de Souza Menezes, 44, vive com a filha e o marido à beira do rio Mutuacá, na Ilha de Marajó (PA), na casa para que se mudou com o companheiro há cerca de 30 anos, quando se casaram. Eles vivem com cerca de R$ 150 por mês, inteiramente dedicados à compra de alimentos. Por isso, a família não consegue comprar itens de higiene menstrual, como absorventes.

Quando a menstruação chega, as mulheres da casa recorrem a pedaços de pano. "Nós não temos o dinheiro para comprar, então a gente já tá acostumada a usar o pano", conta Menezes. Os tecidos ora são lavados para serem reutilizados, ora descartados e substituídos. Sem banheiro e água encanada, os moradores da região tomam banho, lavam as roupas e a louça nas águas do rio. 

 Imagem aérea de Curralinho/PMC | Reprodução

Com renda insuficiente para todas as despesas da casa, complementam a alimentação por meio da pesca e da caça de animais. A falta de dinheiro, acesso a comércios e saneamento básico adequado para os cuidados necessários durante o período menstrual colocam Simone e sua filha, Jéssica, 23, dentro do espectro da pobreza menstrual.