CONFLITO

Fazendeiros teriam avisado comunidades indígenas sobre possíveis ataques às aldeias parakanã. Ministério Público Federal denunciou o caso à Polícia Federal e Polícia Civil.

 terça-feira, 17/05/2022, 12:12 - Atualizado em 17/05/2022, 12:21 -  Autor: FOLHAPRESS

 MPF denunciou as ameaças sofridas em terras indígenas parakanã à PF e PCPA | Bruno Santos/Folhapress

A terra Indígena Apyterewa, do povo parakanã, homologada em 2007 e uma das mais invadidas e desmatadas na Amazônia, está sob tensão desde domingo (15) devido a ameaças de ataques de grileiros a aldeias.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), que acompanha as ameaças, as polícias Federal e Civil foram acionadas e tentam viabilizar medidas prioritárias de segurança para evitar violência contra as aldeias parakanã.

A área, localizada entre os municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, é de difícil acesso, o que é um obstáculo para a atuação das forças de segurança.

 Nesta segunda-feira (16) novos relatos chegaram ao conhecimento dos procuradores da República que acompanham o caso, em Redenção, no Pará, a cidade mais próxima das aldeias que podem ser invadidas.

De acordo com os relatos, homens não indígenas montados em cavalos cercaram ao menos uma das aldeias recém-abertas pelos parakanã, instaurando um estado de terror e medo entre os indígenas.

Os relatos são feitos por meio de áudios em que os indígenas contam terem sido avisados sobre a organização, por fazendeiros, de equipes para atacar aldeias.

O MPF informou que medidas administrativas e judiciais de proteção aos indígenas estão em curso e serão intensificadas com urgência.

A retirada dos invasores foi prevista como uma das condições prioritárias da licença ambiental para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, em operação desde 2019.

O MPF processa o estado brasileiro para obrigar a desintrusão (retirada) e pede à Justiça Federal que multe o governo por não cumprir as decisões judiciais.

Conflitos com fazendeiros e grileiros são frequentes e nos últimos dois anos invasores confrontaram diversas vezes fiscais ambientais e servidores da Funai que trabalhavam na área, chegando a atirar bombas contra eles - afirmam os procuradores.

EXPANSÃO

Por causa das invasões, 17 famílias do povo parakanã decidiram abrir duas aldeias no interior do território, a Ka'a'ete e a Tekatawa, para ampliar a área de ocupação indígena e a proteção territorial. São essas aldeias que estão próximas da área de invasão, o que deixa os indígenas em situação de vulnerabilidade.

Indígenas que vivem à beira do rio Xingu, em área mais distante das invasões, estariam preparando uma expedição em direção às aldeias ameaçadas para protegê-las contra os ataques.