Texto do Lédio Carmona:
 
Quando era menino ainda, queria que meu nome fosse Roberto. Achava fácil, compreensível, universal. Não rolou, óbvio. Quando meu primeiro filho chegou, não perdi tempo: Roberto. O meu maior ídolo na vida também se chama Roberto
Eu sempre chamei de Roberto. Fui apresentado a ele em 1974, quando meu pai foi ao Maracanã ver Vasco 2 x 1 Santos pelo Brasileirão-1974. Meu pai era um tremendo chinelão. E saiu de casa naquele domingo. E no seguinte, quando o Vasco empatou com o Internacional por 2 a 2. Eu não entendia o futebol. Não sabia quem era quem. E, como se fosse hoje, perguntei ao meu pai o que ele ia ver.
Vou ver o Vasco do Roberto Dinamite ser campeão
Puxei mais. Ele falou do goleiro Andrada e do meia Zanata. Mas sempre voltava ao Roberto.

Meu avô, Lourenço, também era vascaíno. Muito. Também amava Roberto. Minha avó, Odete, idem. Gostava tanto do Bob que eu sempre a chamava de… Bob.

Roberto, o nome, entrou na minha vida antes do jogador.
O ídolo entrou na minha vida em 1974.
E nunca mais saiu.
Roberto faz parte da minha história.
Roberto lembra meu pai.
Roberto lembra meu avô.
Roberto lembra minha avó.
Roberto lembra velhos amigos, algo representado pelo abraço que Junior e Zico foram lhe dar na inauguração de sua estátua.

Roberto merece todas as estátuas. Uma para cada gol que marcou.
Ou para cada sorriso que entregou.
Ou pela sua simplicidade peculiar.

Dizem que, pouco antes de morrer, corre um filme na sua cabeça e você lembra de momentos importantes da sua vida. É como o seu HD fosse varrido. Eu, certamente, verei Roberto.

Roberto, o nome que não tive. Roberto, o nome do meu filho. Roberto, o ídolo da minha vida.