RP ENTREVISTA PROFESSOR JOSIAS MANHUARY MUNDURUKU

JACAREACANGA (PA), 03.07.2022 - Mesmo com mais de duzentos anos de contato, os indígenas da etnia Mnduruku das florestas e savanas do alto Tapajós, os quais por prolongado tempo de contato, em sua maioria convivem em contatos harmoniosos, permanentes e poucos  em contatos intermitentes com a população envolvente, guardando de sua rica cultura como forte o idioma Munduruku do Tronco Linguístico Tupi, porém a maioria falando fluentemente o português o que lhes propicia  participarem  ativamente da evolução politica nacional, sempre estando em mesas de discussões em assuntos que lhes são interessantes, como educação, saúde, atividades de economia tribal, e a politica partidária, estando alguns indígenas inseridos em cargos eletivos  deste a emancipação politica do município há mais de três décadas, tempo esse que seis indígenas já foram Vice-prefeitos, e  mais de um vintena vereadores e todos, sem exceção cumpriram e cumprem suas atividades parlamentares ou no Executivo, com destaque, serenidade compreendendo bem a responsabilidade de seus ofícios constitucionais e esses conhecimentos são disseminadas aos parentes concorrendo para que todos saibam que índios e não indígenas, tem os mesmos direitos e por isso lutam incansavelmente e organizados através de suas organizações sociais e em destaque a Coordenação Indígena Pusuru  pelo reconhecimento de seus direitos, tudo isso porque sabem  que a exemplo do homem branco que denominam de Pariwa't  todos estão sob a égide e proteção da Constituição Federal, que preceitua direitos e deveres para o cidadão brasileiro. Compreendem os indígenas que  para conviverem harmoniosamente bem como a população envolvente  cada direito reconhecido é movido pelo elementar cumprimento de um dever, salvo ditames costumes, tradições internos da etnia, que não devem se contrapor à Carta Magna da nação.

Com esse preambulo, todos  nós índios e pariwa't devemos nos adequar aos rigores estabelecidos como lei para seu fiel cumprimento. Cito exemplo de duas situações de indígenas que foram contestados pela justiça por ações delituosas cometidas que foram julgados pelo judiciário,  com seus contraditórios e defesas, e justificativas garantidas conforme preconiza o Estado Democrático de Direito e condenados. Hoje ambos  mesmo com situações de condenações diferentes estando em liberdade ninguém deve questionar as razões do porquê  de estarem  em liberdade haja vista os delitos cometidos, já que  se estão soltos é devido a legislação permitir e não porque o juiz é bonzinho. A lei tem que ser aplicada em favor ou desfavor de qualquer cidadão  se isso se justificar, por isso não adianta pressão intimidação, para se cumprir um pré-julgamento, pois somente quem julga é o juiz, que ao seu lado tem um fiscal da lei denominado Promotor de Justiça, e mais ao lado tem o advogado constituído para a pessoa que encontra-se submetida ao julgamento. Juiz nenhum  em nosso regime democrático prende ou liberta qualquer pessoa, apenas o Meritíssimo Juiz de Direito aplica a Lei, que dispõe razões e/ou circunstancias para libertar ou prender o cidadão de um cárcere. 

Sobre o trágico acidente que vitimou dois nativos Munduruku, estive conversando com um dos mais esclarecidos líderes Indígenas do Povo Munduruku, Josias Manhuari Munduruku, que manifestou  tristeza ao ver que dois parentes sucumbiram de forma violenta no acidente próximo ao trevo da cidade nas primeiras horas da noite do dia 24 próxima passado, que em uma motocicleta  foram colididos por uma carro alugado pela Prefeitura conduzido por um homem chamado Negão. Para ser mais esclarecedora a matéria, troquei dialogo com o Líder Indígena Josias e às perguntas, respondeu:

RP - Você sabe identificar o motorista da caminhonete que colidiu com a motocicleta conduzida pelos dois indígenas?

Josias - Sim! trata-se do motorista Edinaldo Couto Pereira Junior conhecido como Negão

RP - Você conhecia os parentes indígenas falecidos no acidente? há comentários de que eles estavam bêbados conduzindo a moto... o que você sabe sobre tudo isso e as circunstancias do acidente?

Josias - Conhecia, tratavam-se dos indígenas conhecido como Shaolin e Gil Dace; o Shaolin estava arrancando mandioca em uma  aldeia que é bem próximo de Jacareacanga conhecida como Aldeia Payğo Rempu, então ele estava trabalhando e não estava bebendo. O Gil estava acompanhando a esposa dele que está na Casa do índio em tratamento  e  realmente estava bêbado e foi até a Aldeia e o Shaolin não estava bebendo e no inicio da noite foram até a cidade comprar 51; quem pilotava a moto era o que não estava bebendo, e aí deu o acidente.

RP - Professor Josias, vocês identificaram o Negão como o condutor do acidente que estava dirigindo a Caminhonete, e pergunto o porquê de estarem seus parentes insinuando que o Vereador Rainéricy tem culpa no episodio, será que é só porque é cunhado do Motorista Negão? isso não teria nada a ver... se justifique:

Josias - É porque depois do acidente o Rainéricy deu fuga pra ele conduzindo para Itaituba, e também alguns parentes comentaram que o Negão vinha na frente e atrás dele vinha outra Caminhonete de cor prata com dois Vereadores um deles o Rainéricy e que paravam para passar bebidas para o outro carro.

RP - Josias pelo que se sabe o Negão, acusado  pelo acidente já se apresentou à Polícia Civil e agora o assunto  está nas mãos da justiça, que irá analisar o inquérito e o juiz irá decidir o que fazer.

Josias - Ele deveria estar preso e por estar solto, está  gerando insatisfação dos parentes e sabe como é...  se não for preso logo os parentes irão fazer manifestação. Demos um prazo de 15 dias para punição desse Negão, se não ocorrer os parentes ameaçam  fazer justiça com as próprias mãos. As autoridades hoje na Delegacia foram avisadas disso.

RP - Veja,  não façam injustiça, aguardem as providencias legais, tem que se fazer as coisas pautadas pelo senso de justiça. Vocês tem razão em buscar a justiça sobre os parentes que foram mortos, e pedir  que o culpado seja punido, só não se deve culpar quem nada tem a ver com isso. Todos comentam ate em redes sociais que o Vereador Rainéricy nada tem a ver com o caso.

RP - Mas ele deveria então não levar o parente dele pra Itaituba. Deveria deixar aqui mesmo em Jacareacanga.

obs.__Grato me torno ao Josias Manhuary Munduruku pelas informações que tornarei pública a a partir desta postagem. 

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Lamento profundamente a morte dos dois indígenas, prestando meu profundo pesar aos familiares e toda a nação Munduruku!