JACAREACANGA(PA), 01.07.2022 -  A Força Nacional dia 28 próximo passado, com aparato em transporte, homens, equipamentos em armamentos letais de de efeito moral tornaram a fazer investidas na Terra Munduruku para sufocar de vez a garimpagem tida e havida como ilegal, ocasião em que um vídeo  e imagens fotográficas do local às proximidades da  Aldeia Biribá do Rio Kabitutu um afluente do Rio Tapajós, exibe de forma clara e decidida a onda destrutiva que assolou o local com a pronta intervenção da Força Nacional reduzindo à cinzas e ferros retorcidos o que antes tratavam-se de maquinas e equipamentos para suporte à atividade garimpeira. 

Depois de consumado a missão de desmobilização das atividades   alguns integrantes repressores, justificavam o ato, atribuindo às Organizações Não Governamentais (ONGs) seus retornos à operação.

...né?! Os gringos estão lá cobrando o Brasil por  tá todo destruído. Aumentou em mais de  300 as áreas de garimpos nas Terras Indígenas, nesse Governo...agora Ele quer que dê resultado. ...."trecho inaudível"... Tá bom senhores e senhoras? podemos? ... então... bora! ...."trecho inaudível"... aqui não tem acordo, nosso chefe mandou pra gente fazer a missão, Se a gente voltar aqui e ver que voces continuaram... 

A atividade ora debelada e reduzida à  escombros era exclusivamente de indígenas sem a participação de "brancos" e pertencia ao indígena Arlindo Kabá Munduruku  que sairá de cena de uma atividade produtiva que  dava sustentação e manutenção com dignidade à sua família, além de várias outras famílias indígenas que tinham seus mantenedores trabalhando e ganhando o pão no trabalho, para mendigar o pão junto aos políticos de plantão pra irem sobrevivendo. -Que dignidade! 

Ate hoje nem o município criou um plano de alternativa econômica para submeter às autoridades federais  sua atenção e financiamento com a suspensão da garimpagem, e nem o contestado Governador do Estado se mexe para aplacar ou minorar o sofrimento causado pelo enorme desastre social que a desmobilização da atividade provocou e estranhamente cala-se criminosamente devido sua omissão em nem reportar-se sobre o assunto, como nem adotar medidas  mínimas de alternativas econômicas, sabendo que milhares de pessoas encontram-se à deriva sem poder assistir suas proles.

O Art 231 da Carta Magna da nação diz:  

São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

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§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
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Há um severo descumprimento do texto Constitucional que no mínimo é subjetivo  quando se refere  que o índio tem o direito ao usufruto das riquezas do solo e surge uma pergunta impertinente, de como ele irá extrair a riqueza do solo e dos rios  que é o ouro, se somente com as unhas? 
Sou indigenista atuei na Funai por 12 anos, sempre me posicionei pela proibição de brancos garimparem em Terras Indígenas e lutei por isso e em meu trabalho com os colegas  desmobilizei do interior das Terras Munduruku Sai Cinza por completa a atividade, no entanto  nunca combati a atividade exclusivamente empregada por  indígenas em obediência ao texto constitucional  e em destaque ao disposto no parágrafo 2º do Artº 231.