ITAITUBA/PA, 17ABR'2026 às 17hs30' - A investigação sobre o desaparecimento do piloto de Araraquara, João Vitor de Lima Franco, do amazonense Márcio Cley Gomes da Silva Júnior e de uma aeronave pertencente à empresa Metta pode ganhar um novo rumo: a entrada da Polícia Federal no caso.
O avião, um bimotor modelo Baron, prefixo PT-OOV, decolou de Belém no dia 12 de março com destino a Itaituba, no sudoeste do Pará. No dia seguinte, seguiu para a localidade conhecida como Fazenda Sol Nascente, a cerca de 230 km do município. Desde então, não há qualquer notícia sobre a aeronave, o piloto ou o passageiro.
Com base em apuração exclusiva do portal O Antagônico, verifico que a aeronave desaparecida não é um avião qualquer. Trata-se do mesmo equipamento que já apareceu nas investigações da CPI do INSS, instaurada pelo Senado Federal em 2025.
À época, o piloto Henrique Traugott Binder Galvão declarou à comissão que operou a aeronave entre 2021 e 2025, período em que o avião pertencia ao deputado federal mineiro Euclides Petersen e a Vinícius Ramos, este último cunhado do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
Ainda em 2025, o avião foi vendido a Silas Vaz, beneficiário do Bolsa Família, levantando suspeitas de possível utilização como “laranja” na negociação. Dados da comissão apontam que a aeronave foi adquirida por R$ 1 milhão e revendida meses depois por R$ 2,5 milhões — uma valorização que chama a atenção.
Paralelamente, há registros de transferência de R$ 2,5 milhões por parte de Euclides Petersen a um instituto, o que levanta indícios de possível conexão com a transação da aeronave.
Posteriormente, já em 2026, o avião foi adquirido pela empresa Metta Transportes e Construção Naval Ltda, sediada em Manaus, tendo como proprietário o colombiano Ivan Adel Gois de Los Rios, que reside em Belém.
A investigação ganha contornos ainda mais preocupantes com os relatos que antecedem o desaparecimento.
A ex-companheira do piloto, Nathalia Carolina Silva Coelho, registrou ocorrência na Divisão de Homicídios em Belém após solicitação da mãe de João Vitor. Segundo ela, o piloto viajou de Araraquara para trabalhar na empresa Metta.
Na madrugada do dia 12 de março, João Vitor fez contato com a mãe informando estar em um local desconhecido. Em seguida, um homem identificado como “JP” afirmou que eles estavam na Travessa Lomas Valentinas, em Belém.
Em uma chamada de vídeo, o piloto apareceu visivelmente ferido, com um dente quebrado, e pediu ajuda para sair do local. Horas depois, voltou a afirmar que estava bem, atribuindo o ferimento a um acidente com um carregador.
No dia 14, já em Itaituba, informou estar na Fazenda Sol Nascente, realizou uma transferência via PIX e enviou uma imagem mostrando parte de uma caminhonete em área rural.
Ao entrar em contato com a responsável pela fazenda, Vitória Emanuelly Santos Felix, obteve a informação de que existe uma pista de pouso no local, porém desativada há anos. Ela afirmou desconhecer qualquer pouso recente.
Essa versão, no entanto, entra em choque direto com dados confirmados pela Polícia Civil do Pará junto ao SALVAERO, que indicam que a aeronave pousou, sim, na propriedade.
Outro ponto que chama atenção é o registro tardio do desaparecimento: apenas no dia 7 de abril o proprietário da aeronave comunicou o sumiço à polícia, alegando que o avião teria seguido de Itaituba para Manaus — trajeto que nunca foi confirmado por órgãos de controle aéreo.
O SALVAERO também informou que não houve plano de voo válido nem registro de pouso em qualquer aeroporto de Manaus, o que reforça o mistério.
A apuração também revela um episódio inusitado ocorrido em Belém, envolvendo o passageiro Márcio Cley.
Ele havia alugado um apartamento por temporada, mas, no dia 12 de março, um homem — posteriormente identificado como sendo o próprio piloto João Vitor — entrou por engano em outro apartamento, aparentemente desorientado e alcoolizado.
Imagens de segurança confirmaram a identidade, e a própria mãe do piloto reconheceu o filho, relatando que ele estava machucado e em situação preocupante na mesma madrugada.
Diante da conexão direta com a CPI do INSS, das inconsistências nos registros de voo, das suspeitas envolvendo a propriedade da aeronave e das circunstâncias ainda obscuras do desaparecimento, cresce a possibilidade de que o caso seja federalizado.
Neste momento, a Polícia Civil do Pará concentra esforços na Fazenda Sol Nascente, último ponto confirmado da rota da aeronave.
O caso segue envolto em dúvidas, contradições e indícios que ultrapassam um simples desaparecimento, apontando para um enredo mais amplo — e possivelmente mais grave.
Crédito: Informações baseadas em apuração do jornalista Evandro Corrêa, do portal O Antagônico.

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