
PARÁ | O garimpo ilegal na Terra Indígena Munduruku, no Pará, persiste e tem alta capacidade de adaptação, mesmo diante de ações repressivas do Estado, como as desintrusões. É o que aponta um estudo apresentado na noite desta segunda-feira (11) por um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Instituto Mãe Crioula.
Foram analisadas as transformações socioambientais e econômicas ocorridas em 2025 após as operações de desintrusão na Terra Indígena Munduruku, em Jacareacanga, no sudoeste do Pará.
As operações de órgãos federais para retirar os invasores começaram ainda em 2024. A TI Munduruku foi homologada em 2004 em área de 2,3 mil hectares, abrigando três povos indígenas em Jacareacanga e Itaituba.
Conforme os especialistas, a retirada de garimpeiros desencadeou uma série de novas dinâmicas e expões vulnerabilidades, pois não desestruturou as bases econômicas do garimpo ilegal e nem pôs fim a conflitos na região.
Segundo o estudo, sem ações estruturais, as operações estatais produzem efeitos temporários, com possibilidade de retorno dos garimpeiros. De acordo com o Instituto Mãe Crioula, o documento chamado de "O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão: Reconfigurações Territoriais e Conflitos na Terra Indígena Munduruku" será encaminhado a órgãos públicos com sugestões.
Além disso, os pesquisadores também apontam o aumento de famílias com Cadastro Único como um fator a ser observado e que alcançou 19.353 em 2026 na cidade de Jacareacanga. A cidade, segundo o último Censo, tem 24 mil habitantes, na qual metade é indígena.
Segundo o relatório, os garimpos ilegais aumentaram dentro da terra indígena entre 2017 e 2020. Depois, entre 2021 e 2022, começaram a ter mais operações de combate a esta atividade, com destruição de maquinários. Em 2023, há um reforço de combate ao garimpo ilegal com ações federais até que em 2024 inicia a desintrusão para retirada dos garimpeiros ilegais.
(Fonte: G1 Pará)
REMENDO RP
A pesquisa expõe uma realidade incômoda para o poder público: combater o garimpo ilegal apenas com operações repressivas, sem alternativas econômicas, presença permanente do Estado e proteção social efetiva, transforma a desintrusão em medida temporária e de efeito limitado. Na Terra Indígena Munduruku, o ouro continua movimentando interesses milionários, alimentando redes clandestinas e aprofundando conflitos históricos. Enquanto isso, comunidades indígenas e populações vulneráveis seguem vivendo entre a pressão econômica do garimpo, a ausência de oportunidades e a insegurança permanente em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia brasileira. - Walter Tertulino

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