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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
INDÍGENAS VÃO À BRASÍLIA COBRAR O ÓBVIO: ACESSO À EDUCAÇÃO  QUE O ESTADO AINDA NÃO ATENDE

Educação
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INDÍGENAS VÃO À BRASÍLIA COBRAR O ÓBVIO: ACESSO À EDUCAÇÃO QUE O ESTADO AINDA NÃO ATENDE

Vereadores Munduruku pressionam a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior por políticas reais enquanto inclusão indígena segue mais no discurso

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JACAREACANGA (PA),12Abr'026 às 16hs37' – Cansados de promessas recicladas e políticas que não saem do papel, representantes indígenas de Jacareacanga foram até Brasília fazer o que o poder público insiste em evitar: cobrar na cara o direito básico à educação superior.

À frente da mobilização, o vereador Eliziário Kirixi Munduruku, acompanhado dos parlamentares Zenildo Saw Munduruku e Lenilson Paigo Munduruku, participou de reunião na CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com uma pauta que, em um país minimamente justo, nem deveria ser reivindicação: acesso real de indígenas ao mestrado e doutorado.

Inclusão de fachada não resolve mais

O Brasil adora anunciar programas, mas falha na execução. Na prática, o acesso de indígenas à pós-graduação ainda esbarra em burocracia, falta de apoio e critérios desconectados da realidade amazônica.

O que existe hoje é uma inclusão de vitrine — bonita no papel, fraca na ponta.

Sem políticas sérias de permanência, sem ampliação real de bolsas e sem adaptação às realidades culturais e geográficas, o sistema continua excluindo — só que agora com discurso politicamente correto.

Brasília distante da realidade que finge atenderA presença de lideranças como João Kaba Munduruku e Ivanildo Akay Munduruku escancara uma verdade incômoda:

Quem vive o problema precisa atravessar o país para ser ouvido.

Enquanto isso, decisões seguem sendo tomadas longe da realidade das aldeias, onde falta estrutura básica, quanto mais acesso facilitado à pós-graduação.

A reunião na CAPES não pode virar mais um registro institucional vazio.

Ou saem medidas concretas — ampliação de bolsas, políticas específicas e garantia de permanência — ou tudo não passará de mais um capítulo da velha política brasileira: prometer, registrar e esquecer.

De Jacareacanga para o Brasil: o recado está dado

Com mais de 36 mil habitantes, majoritariamente da etnia Munduruku, Jacareacanga não está pedindo favor — está exigindo direito.

E o recado que vem da Amazônia é direto, sem diplomacia:

Não falta capacidade aos indígenas — falta oportunidade.

Os vereadores Munduruku foram a Brasília fazer o que muitos evitam: confrontar o sistema. E deixaram claro que não aceitam mais:

Políticas pela metade
Inclusão de fachada
Nem promessas sem execução

Agora, a pergunta não é mais o que os indígenas querem.

É se o Estado brasileiro vai, finalmente, parar de fingir que atende — e começar a cumprir o que deve.

FONTE/CRÉDITOS: Walter Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Tertulino
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