
JACAREACANGA (PA),12Abr'026 às 16hs37' – Cansados de promessas recicladas e políticas que não saem do papel, representantes indígenas de Jacareacanga foram até Brasília fazer o que o poder público insiste em evitar: cobrar na cara o direito básico à educação superior.
À frente da mobilização, o vereador Eliziário Kirixi Munduruku, acompanhado dos parlamentares Zenildo Saw Munduruku e Lenilson Paigo Munduruku, participou de reunião na CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com uma pauta que, em um país minimamente justo, nem deveria ser reivindicação: acesso real de indígenas ao mestrado e doutorado.
Inclusão de fachada não resolve mais
O Brasil adora anunciar programas, mas falha na execução. Na prática, o acesso de indígenas à pós-graduação ainda esbarra em burocracia, falta de apoio e critérios desconectados da realidade amazônica.
O que existe hoje é uma inclusão de vitrine — bonita no papel, fraca na ponta.
Sem políticas sérias de permanência, sem ampliação real de bolsas e sem adaptação às realidades culturais e geográficas, o sistema continua excluindo — só que agora com discurso politicamente correto.
Brasília distante da realidade que finge atenderA presença de lideranças como João Kaba Munduruku e Ivanildo Akay Munduruku escancara uma verdade incômoda:
Quem vive o problema precisa atravessar o país para ser ouvido.
Enquanto isso, decisões seguem sendo tomadas longe da realidade das aldeias, onde falta estrutura básica, quanto mais acesso facilitado à pós-graduação.
A reunião na CAPES não pode virar mais um registro institucional vazio.
Ou saem medidas concretas — ampliação de bolsas, políticas específicas e garantia de permanência — ou tudo não passará de mais um capítulo da velha política brasileira: prometer, registrar e esquecer.
De Jacareacanga para o Brasil: o recado está dado
Com mais de 36 mil habitantes, majoritariamente da etnia Munduruku, Jacareacanga não está pedindo favor — está exigindo direito.
E o recado que vem da Amazônia é direto, sem diplomacia:
Não falta capacidade aos indígenas — falta oportunidade.
Os vereadores Munduruku foram a Brasília fazer o que muitos evitam: confrontar o sistema. E deixaram claro que não aceitam mais:
Políticas pela metade
Inclusão de fachada
Nem promessas sem execução
Agora, a pergunta não é mais o que os indígenas querem.
É se o Estado brasileiro vai, finalmente, parar de fingir que atende — e começar a cumprir o que deve.
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