
Em meio a propagandas governamentais que alertam para o fato de que "incêndio na Amazônia é crime", cresce a percepção de que tais campanhas têm mais função midiática do que efetivamente ambiental. Críticos apontam que essas ações são, em muitos casos, direcionadas mais à plateia internacional do que ao enfrentamento real dos problemas locais. A frase "para inglês ver" volta a ganhar força, sobretudo diante de decisões que, segundo especialistas e líderes locais, entram em choque com a própria defesa do bioma.

A cidade de Belém, anfitriã da COP-30, também é alvo de controvérsia. Para “embelezar” algumas das principais vias que receberão comitivas estrangeiras, o governo estadual autorizou a instalação de árvores artificiais em espaços urbanos, em um esforço visual que tem sido chamado por críticos de “cosmético” e até “carnavalesco”. A ação, embora esteticamente impactante, levanta questionamentos sobre prioridades e autenticidade no discurso ambiental do estado.
Outro ponto sensível é a política federal de combate ao garimpo ilegal. Apesar da necessidade de conter atividades predatórias, relatos vindos da região amazônica indicam que as operações têm provocado impactos ambientais significativos: destruição de equipamentos com uso de fogo, derramamento de combustíveis em cursos d'água e resíduos tóxicos lançados no meio ambiente. Comunidades ribeirinhas denunciam prejuízos diretos à fauna aquática, à qualidade da água e à saúde dos povos tradicionais.
Enquanto a ministra do Meio Ambiente defende as medidas como ações firmes contra crimes ambientais, vozes da sociedade civil e de especialistas locais acusam o governo de adotar práticas contraditórias, que colocam em risco tanto o meio ambiente quanto a vida de comunidades inteiras. O dilema entre proteger a floresta e exibir uma imagem de progresso ecológico para o mundo ainda está longe de ser resolvido.
A poucos meses da conferência climática, resta saber se o Brasil conseguirá apresentar ao mundo um compromisso real com a sustentabilidade ou se continuará a lidar com o meio ambiente como um cenário — bonito aos olhos estrangeiros, mas fragilizado em sua essência.

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