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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
JACAREACANGA: -MUITO ALÉM DA POLÍTICA, PROJETO SOCIAL LEVA DIGNIDADE A QUEM FOI ESQUECIDO

CIDADANIA
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JACAREACANGA: -MUITO ALÉM DA POLÍTICA, PROJETO SOCIAL LEVA DIGNIDADE A QUEM FOI ESQUECIDO

Enquanto o poder público falha no pós-garimpo, projeto liderado por Everton Araújo transforma vidas e expõe a força — e o limite — da ação social voluntária

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JACAREACANGA/PA, 31Mar'2026 às 09hs43'  – A catástrofe  econômica que hoje sufoca Jacareacanga não caiu do céu. Ele foi anunciada, previsível e, ainda assim, ignorada. A derrocada da atividade garimpeira na região do Tapajós — especialmente nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza — escancarou a fragilidade de um município que nunca foi preparado para o depois.

O resultado está nas ruas: pobreza crescente, famílias desassistidas, aumento da criminalidade e uma população que sobrevive à margem de uma economia praticamente inexistente. O ouro, recurso não renovável todos sabem, sempre teve data para acabar — ou, no mínimo, para deixar de sustentar a base econômica local. Faltou visão. Faltou planejamento. Sobrou abandono.

Hoje, o município depende quase exclusivamente de repasses públicos, enquanto o funcionalismo ainda respira dentro de uma realidade limitada. Do lado de fora, a realidade é outra: é o povo enfrentando, sozinho, o peso de uma economia falida.

Diante desse cenário, a solidariedade deixou de ser virtude — tornou-se necessidade. Bingos, rifas e campanhas improvisadas passaram a substituir, ainda que de forma paliativa, aquilo que deveria ser política pública efetiva.

Mas, em meio ao caos social, algumas iniciativas rompem a inércia e mostram que ainda existe compromisso real com a população. É o caso do trabalho liderado pelo vereador Éverton Araújo, ao lado de sua esposa, Najara Araújo, à frente do Projeto Social “Fazendo o Bem”.

Diferente de ações pontuais e oportunistas, o projeto vem se consolidando como uma resposta concreta à exclusão social que avança no município. Com atuação organizada e uma equipe multidisciplinar, a iniciativa leva não apenas assistência, mas dignidade a quem mais precisa.

E o próprio vereador faz questão de deixar claro o propósito:

“Nosso projeto não é vitrine política. Se fosse, atenderíamos apenas quem nos interessa eleitoralmente. Nosso compromisso é com quem realmente precisa, identificado por meio de um trabalho sério e responsável”, afirmou.

A fala não é apenas discurso — ela se sustenta na prática. Os recursos que mantêm o projeto vêm de doações voluntárias de empresários, garimpeiros e apoiadores anônimos, muitos dos quais preferem o silêncio ao reconhecimento público, seguindo um princípio simples: fazer o bem sem esperar retorno.

Outro ponto que chama atenção é o engajamento da equipe. Não há remuneração, não há obrigação institucional — há voluntariado. Pessoas que, além de doar tempo, também contribuem com recursos próprios para garantir que as ações aconteçam.

No último sábado (28), mais uma edição do projeto foi realizada no espaço da Igreja da Paz (Church), cedido para a ação. O evento reuniu centenas de pessoas e promoveu distribuição de alimentos, roupas e calçados, além de diversos atendimentos essenciais.

Os números impressionam: cerca de 250 a 300 pessoas atendidas apenas nesta ação. No acumulado, aproximadamente 4.500 vidas já impactadas desde o início do projeto.

E não se trata apenas de assistencialismo. O “Fazendo o Bem” entrega serviços que o cidadão deveria encontrar com facilidade na estrutura pública: atendimento médico, orientação nutricional, testes de glicose, aferição de pressão, vacinação, palestras educativas, cortes de cabelo e apoio social.

Najara Araújo resume o espírito da iniciativa com firmeza:

“Aqui não tem política, tem compromisso humano. É uma missão que abraçamos com responsabilidade. Com apoio de pessoas de bom coração, conseguimos transformar realidades com gestos simples, mas verdadeiros.”

Enquanto isso, fica a pergunta inevitável: até quando a população de Jacareacanga dependerá da boa vontade de voluntários para acessar o mínimo?

O comunicólogo Nonato Silva reforça o chamado coletivo:

“É tempo de espalhar esperança e fazer o bem acontecer.”

Criado em dezembro de 2021, o projeto já soma cerca de 23 ações realizadas em comunidades garimpeiras, ribeirinhas, aldeias indígenas e bairros da cidade. Mais do que números, o que se vê é um exemplo claro de que, quando falta ação do poder público, a sociedade se levanta — mas isso não deveria ser regra.

FONTE/CRÉDITOS: WALTER AZEVEDO TERTULINO
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): WALTER AZEVEDO TERTULINO
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