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Domingo, 31 de Maio 2026
DISPUTA TERRITORIAL EXPÕE FRAGILIDADE  DO PARÁ FRENTE O AVANÇO DO MATO GROSSO
Cidades

DISPUTA TERRITORIAL EXPÕE FRAGILIDADE DO PARÁ FRENTE O AVANÇO DO MATO GROSSO

Engrenagem política e jurídica atua no STF, enquanto ausência de reação do Pará preocupa regiões ameaçadas

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      MAURO MENDES SOBRE DISPUTA TERRITORIAL ENTRE MT E PA NO STF: “É UMA BURRICE ESSA DIVISÃO"                                               15/04/2026 12h16 Atualizado há 12 horasPor: Bruno Pinheiro Fonte: Redação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma audiência de conciliação entre os estados de Mato Grosso e Pará para o dia 21 de maio de 2026, às 9h, na Sala de Sessões da Primeira Turma do tribunal, em Brasília. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (14) e atende a pedido formulado pelo Estado de Mato Grosso.

O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, disse nesta quarta-feira (15) que a disputa é resultado de uma divisão territorial que considera irracional na prática.

“Às vezes atender um que é do outro estado, está dentro da margem do estado de Mato Grosso, e uma discussão que chegou no STF. Ali é uma burrice, vamos assim dizer, dessa divisão territorial”, afirmou.

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Segundo Mendes, o cerne do problema é geográfico: a região disputada é fisicamente isolada do Pará por barreiras naturais — um rio, uma serra e áreas de floresta intocada com reservas ambientais — e tem toda a sua vida cotidiana orientada para Mato Grosso.

“Existe um limite físico para acessar essa parte do estado do Pará, que tem hoje a vida 100% ligada ao estado de Mato Grosso”, explicou.

Para Mendes, o que os moradores da região reivindicam é simples: que o vínculo que já existe na prática seja reconhecido formalmente.

“O que eles estão reivindicando é que, não só de fato, mas também de direito, haja um vínculo ali daquele território com o estado de Mato Grosso, porque no dia a dia isso já acontece”, disse.

O ex-governador citou serviços de educação, saúde, infraestrutura e comércio como exemplos de como a população local depende integralmente de Mato Grosso, e lamentou que a questão não tenha encontrado solução administrativa.

“É um exemplo claro de que não se consegue resolver isso no âmbito administrativo e tem que chegar lá no Supremo Tribunal”, avaliou.

Mendes afirmou esperar que o ministro Flávio Dino resolva o caso com base na realidade local.

“Eu espero que o ministro Flávio Dino possa resolver pelo bom senso, pela realidade ali. Essa parte do território está 100% ligada a Mato Grosso — é justo que ela se incorpore ao estado de Mato Grosso”, concluiu.

A audiência tem como objetivo abrir um espaço institucional de diálogo antes do julgamento dos embargos de declaração pendentes na Ação Rescisória 2.964. O processo tem como amici curiae o município de Paranaíta, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o município de Alta Floresta, a Câmara Municipal de Alta Floresta e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).

Na decisão, Dino destacou a necessidade de garantir uma “transição ordenada” que preserve a segurança jurídica e os direitos das populações afetadas. A sessão será presidida pelo próprio relator, com apoio da juíza auxiliar Camila Murara. Além dos dois estados, a União também foi intimada a participar.

A decisão ainda abre espaço para a participação de representantes das bancadas federais de Mato Grosso e do Pará, das assembleias legislativas estaduais e de municípios diretamente afetados pela demarcação — mediante prévio requerimento de ingresso.

REMENDO RP

O que está em curso não é apenas um litígio territorial. É uma disputa de poder — e, até aqui, o Pará parece ter escolhido o papel mais perigoso possível: o da omissão.

Enquanto o Mato Grosso avança com uma operação política, jurídica e econômica de grande escala, o Estado do Pará segue mergulhado em um silêncio que, no mínimo, constrange — e, no pior cenário, compromete.

Do outro lado, não há improviso. Há estratégia. Um verdadeiro rolo compressor está em movimento, reunindo deputados estaduais, parlamentares federais, lobistas, grandes nomes do agronegócio e bancas jurídicas altamente especializadas. O destino dessa engrenagem é claro: influenciar, nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o desfecho de uma disputa que pode redesenhar o mapa territorial da região Norte.

A chamada audiência de conciliação já tem data marcada. O campo está delimitado. O adversário está em posição de ataque.

E o Pará? ...Até agora, nada!

Nenhuma reação pública consistente. Nenhuma demonstração clara de enfrentamento. Nenhuma sinalização firme de que há uma estratégia à altura do risco. O que se vê é um vazio — institucional, político e nada se fala na imprensa.

Ou o governo paraense está operando em absoluto sigilo, preparando uma resposta à altura da gravidade do conflito — o que já seria questionável pela ausência de transparência —, ou, hipótese ainda mais inquietante, está simplesmente assistindo à disputa sem capacidade — ou vontade — de enfrentamento.

No campo político, o silêncio prolongado sempre levanta uma suspeita incômoda: quem está ganhando com isso?

Não é razoável que, diante de uma ameaça concreta de perda territorial, não haja mobilização visível, pressão institucional ou sequer discurso público firme. Em disputas dessa natureza, ausência não é neutralidade — é fragilidade.

E fragilidade, nesse cenário, custa território.

A percepção que se consolida é dura: o Pará pode estar sendo atropelado por uma articulação muito mais estruturada, muito mais financiada e muito mais agressiva por parte do Mato Grosso. Há dinheiro, influência e interesse econômico pesado em jogo — e isso faz diferença.

Enquanto isso, regiões como Jacareacanga entram no radar da possível perda. Não se trata de um pedaço qualquer de terra, mas de uma área com potencial produtivo significativo, cobiçada por setores do agronegócio que veem na mudança de domínio territorial uma oportunidade direta de expansão e lucro.

Se essa movimentação prosperar, o Mato Grosso não apenas amplia seu território — amplia seu poder econômico, sua influência e sua presença estratégica no mapa do agronegócio brasileiro.

E o Pará?

Corre o risco de entrar para a história como o Estado que perdeu território não por derrota, mas por ausência.

A essa altura, o silêncio já não é apenas preocupante. É ensurdecedor.

E, em política, quando ninguém fala, geralmente alguém já decidiu.

Veja a caixa de Pandora que o MT vai abrir pra cima do Pará clic AQUI

FONTE/CRÉDITOS: Walter A. Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter A. Tertulino

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