A Indignação de Um Povo em Duas Décadas de Espera

Imagem ilustrativa de Caminhão da Equatorial apreendido na Aldeia de Marituba
SANTARÉM(PA), 17Nov'2025 á 00H58' - Conforme extraído de matéria do confrade Renan Rodrigues, que assina o jornal digital homônimo, a indignação de um povo explodiu depois de mais de duas décadas de espera. Desde 2001, dezoito famílias indígenas da Aldeia Marituba, localizada na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, no município de Belterra (PA), aguardavam a instalação de energia elétrica — um direito básico e essencial à dignidade, prometido inúmeras vezes e jamais cumprido. A escuridão prolongada transformou essa espera em um profundo sentimento de injustiça.
Relata Renan que, quando a comunidade recebeu a estrutura da Equatorial, transportada em um caminhão, o que chegou à aldeia não foi o cumprimento das promessas, mas sim um elemento que alimentou a revolta. Ao constatar que apenas um único domicílio seria contemplado — e não a totalidade do que fora projetado e planejado — instalou-se um descontentamento coletivo imediato. O descaso injustificado da empresa foi o estopim para a revolta e para a reação dos comunitários diante da quebra de um acordo celebrado e reiteradamente descumprido.
Visivelmente irritado, encontrava-se o cacique Rosivan, liderança do aglomerado humano, que, com o apoio dos demais comunitários, reagiu ao que chamou de “presepada” e empurra-empurra da Equatorial. A comunidade decidiu deter toda a estrutura trazida pelo caminhão, inclusive o veículo, até que fossem cumpridos os direitos da aldeia — direitos pelos quais lutavam há mais de vinte anos.

O cacique Rosivan, liderando as demais famílias, justificou sua atitude ao determinar a retenção do caminhão, condicionando a liberação à execução total dos trabalhos ajustados em diversas reuniões ao longo de duas décadas. Ele afirmou que jamais poderia aceitar tamanho descaso, pois não teria como se voltar contra seu próprio povo, que sempre lutou pelo benefício tão aguardado: a energia elétrica — um projeto de dignidade, de inclusão social e de resgate da cidadania.
Segundo o blogueiro Renan, que percorreu mais de 140 quilômetros após ser convidado pelos indígenas a presenciar a situação, a mobilização poderia ter se radicalizado ainda mais diante da insatisfação crescente. Diante da pressão, a Equatorial finalmente cedeu e iniciou o serviço de instalação em todos os domicílios previamente cadastrados pela própria empresa.
Depois do início dos trabalhos — paralisados por duas semanas para resolverem a questão — a empresa decidiu executar integralmente o projeto proposto. O cacique Rosivan reafirmou sua posição:
“O caminhão só sai quando a última família for atendida.”
O blogueiro Renan Rodrigues, no estrito cumprimento de seu dever jornalístico, registrou o episódio e ressaltou que
A ação adotada pelos comunitários não é apenas uma história de falta de infraestrutura, mas, sobretudo, um poderoso exemplo de como a resistência organizada e a defesa de direitos básicos podem vencer a ineficiência, a mentira e o descaso institucional que perduraram por mais de vinte anos na Amazônia.
A luz que finalmente chega às casas dos Munduruku é a prova viva da vitória de sua persistência e união.
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Remendo RP
Visitei, creio que em 2.000, todas as localidades do baixo Tapajós, partindo de Aveiro, quando fui Diretor da Funai, acompanhando uma equipe de Brasilia para fazerem levantamentos antropológicos e culturais entre algumas comunidades que reivindicavam reconhecimento. Nosso trabalho percorrendo, entrevistando comunitários levou mais de 45 dias de intenso trabalho. Takuara, Marituba, Pini, Marai, entre outras, receberam dos antropólogos sinais inequívocos de descendência nativa. Decorrido tanto tempo, mais de 20 anos, me entristeço em saber que direitos básicos do genero humano ainda não foram cumpridos por lá.
A Terra Indígena Sai Cinza, conta com uma população local e em seu entorno superior a duas mil pessoas. Quando mesmo esse povo lutará pela garantia de seus direitos?
Vejo os Munduruku do alto Tapajós , guerreiros que são, lutando em defesa de outras etnias, indo e vindo para engrossarem fileiras e comporem novos enredos de vitorias de outros parentes, e uma pergunta fica aqui e não cala:
QUANDO MESMO IRÃO LUTAR PARA TEREM A GARANTIA DE ENERGIA ELETRICA EM SEUS DOMICÍLIOS, EM SAI CINZA, E KARAPANATURA?

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