Com bancada mato-grossense, prefeitos de Paranaíta e Alta Floresta conseguem avanço no STF sobre divisa com o Pará
Ministro Flávio Dino propõe chamar o Pará para conciliação após reunião com prefeitos de Paranaíta e Alta Floresta e bancada federal de Mato Grosso no Supremo Tribunal Federal

Uma delegação composta pelos prefeitos de Paranaíta e Alta Floresta, senadores e deputados federais e estaduais de Mato Grosso se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, em Brasília, para tratar de uma controvérsia histórica de divisa entre os estados de Mato Grosso e do Pará. O encontro reuniu representantes das duas cidades mato-grossenses que há anos atendem famílias e propriedades localizadas geograficamente no sul do Pará, mas sem acesso viável às sedes dos municípios paraenses.
A audiência contou com a presença dos senadores Jaime Campos, Wellington Fagundes e Fávaro, do deputado federal Fábio Garcia, das deputadas estaduais Janaína Riva e Nininho, além dos procuradores da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado de Mato Grosso. O ministro Dino recebeu os representantes e ouviu a exposição técnica dos procuradores sobre os impactos jurídicos, sociais e econômicos da situação.
“Saímos com muita esperança”
O prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira, destacou o apoio da bancada mato-grossense como fundamental para o resultado positivo da reunião.
“Estamos saindo da audiência com o ministro Flávio Dino, onde estiveram presentes nossa bancada federal, os senadores Jaime Campos, Wellington Fagundes e Fávaro, o procurador da Assembleia, o procurador do Governo do Estado, o deputado Nininho, a deputada estadual Janaína Riva e o deputado federal Fábio Garcia. Discutimos a questão da divisa entre Jacareacanga e Paranaíta, e entre Alta Floresta e Novo Progresso. O problema é o atendimento das famílias que estão no sul do Pará e não têm como acessar a sede dos municípios paraenses. Fomos muito bem recebidos pelo ministro. Nossos procuradores apresentaram todo o trabalho”, declarou Moreira.
O prefeito ressaltou ainda a questão jurídica que impede os gestores mato-grossenses de investirem naquela população.“Se nós, gestores, fizermos uma obra no estado do Pará, cometemos improbidade. Isso nos proíbe de levar grandes investimentos àquela população que tanto necessita, e que hoje já recebe o agronegócio com força. É nossa responsabilidade avançar e buscar uma saída entre os dois estados”, completou.
Alta Floresta: “Saímos daqui muito confiantes”
O prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba, também demonstrou otimismo com os encaminhamentos e enfatizou a importância da articulação política para alcançar uma solução definitiva.
“Nós, os dois municípios, somos os maiores afetados. O ministro acolheu nossa demanda e propôs chamar o Estado do Pará para uma conciliação. Isso, para nós, foi muito importante. Saímos daqui muito animados. Só temos a agradecer pelo apoio de vocês. Sem esse apoio, não teríamos a mesma força nem o mesmo resultado”, afirmou Gamba.
O prefeito detalhou as carências enfrentadas pela população da região de divisa.
“Estamos muito confiantes de que, de uma maneira ou de outra, com a ajuda do ministro e dos ministérios envolvidos, a gente busque uma solução definitiva que dê segurança jurídica e segurança em todos os sentidos para aqueles trabalhadores que vivem no sul do Pará. São pessoas que, isoladas, não têm como acessar os municípios que seriam do Pará, pois o acesso é muito distante e passa pelo interior de Mato Grosso. Acreditamos que, com essa somatória de forças, alcançaremos o objetivo de todos os moradores e proprietários que lá vivem e trabalham”, disse o prefeito de Alta Floresta.
Senador Jaime Campos vê solução próxima
O senador Jaime Campos, que liderou a articulação política da delegação, avaliou positivamente os encaminhamentos da reunião.
“Estamos aqui no Supremo Tribunal Federal com os dois prefeitos e com nosso procurador da Assembleia. Já está encaminhada uma situação que vem sendo demandada há muitos anos: a questão da divisa de Mato Grosso com o Estado do Pará. Isso tem causado enormes prejuízos para mais de 300 a 400 famílias naquela localidade. A conversa foi muito boa e avançou muito. O que percebo, com muita clareza, é que essa solução chegará em breve”, disse o senador.
Campos destacou ainda a situação enfrentada pelas famílias da região.
“Até porque quem tem oferecido todos os serviços é a cidade de Paranaíta e a cidade de Alta Floresta. Não há nenhuma razão para que essas famílias tenham que percorrer de 600 a 800 quilômetros para demandar serviços públicos como educação, saúde e segurança, quando aqui, em Mato Grosso, estão a apenas 40 ou 60 quilômetros”, explicou.
O senador encerrou elogiando o trabalho técnico do procurador da Assembleia Legislativa.
“Quero ressaltar publicamente o trabalho exitoso do prefeito Chico Gamba, do prefeito Osmar Moreira e, sobretudo, a cooperação técnica com excelência do doutor Bruno, procurador da nossa Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. E toda a bancada que compareceu nessa reunião com o ministro Flávio Dino. Parabéns a todos, que são os grandes protagonistas da busca e resolução desse problema que tem afetado a população que ali mora”, concluiu Campos.
Wellington Fagundes destaca unidade da bancada como chave para o resultado
O senador Wellington Fagundes reforçou que a força da delegação esteve justamente na unidade política de Mato Grosso e defendeu que a população local seja ouvida no processo de conciliação.
“O mais importante é que quem atende aquelas pessoas que lá estão é o Mato Grosso, são os prefeitos de Mato Grosso. E nada melhor do que essas pessoas opinarem. Tenho certeza de que a conciliação vai levar para esse caminho de ouvir a população e todos aqueles que são atendidos. O importante aqui é que toda a bancada de Mato Grosso está apoiando. Quando há unidade, isso facilita para que o resultado seja consistente e para que o ministro tome a decisão”, afirmou Fagundes.
Fábio Garcia: “Não podemos deixar nenhum brasileiro para trás”
O deputado federal Fábio Garcia classificou a reunião como propositiva e destacou o caráter social e econômico da pauta.
“Saindo agora do Supremo Tribunal Federal, depois dessa reunião bastante propositiva com o ministro Flávio Dino, onde abordamos uma questão sobretudo social e econômica de vários proprietários de terra que estão completamente isolados no hoje Estado do Pará e são atendidos pelo nosso Mato Grosso, em especial por Paranaíta, representada pelo prefeito Osmar Moreira, e por Alta Floresta, pelo prefeito Chico Gamba. Um tema muito importante, porque não podemos deixar nenhum brasileiro para trás”, disse Garcia.
Deputado Nininho revela envolvimento pessoal na causa
O deputado estadual Nininho revelou ter interesse pessoal na questão, pois também é proprietário na região, e agradeceu publicamente ao trabalho técnico da delegação.
“Hoje, aqui na companhia do deputado Fábio Garcia, do senador Jaime Campos, do senador Fávaro e do senador Wellington Fagundes, participamos de uma reunião muito importante que veio criar um novo horizonte e uma solução para essas pessoas. Me incluo junto também, porque sou proprietário lá. Quero parabenizar o prefeito Osmar Moreira e o prefeito Chico e, em nome de vocês, levar essa mensagem a todos os associados da Associação de Produtores que estão ansiosos por uma solução para esse conflito”, declarou.
“Você, Bruno, que desde o primeiro momento representou a Procuradoria da Assembleia, junto com o doutor Francisco e a Procuradoria-Geral da República aqui em Brasília, também representando o estado de Mato Grosso. Fomos muito bem recebidos pelo ministro Flávio Dino e encontramos aqui o encaminhamento para que, se Deus quiser, em breve tenhamos uma reunião de conciliação entre os dois estados e encontremos uma solução para esse problema”, concluiu Nininho.
ENTENDA O CASO
A controvérsia envolve propriedades e famílias situadas geograficamente no sul do Pará, em região de divisa com Mato Grosso, próximas a Jacareacanga (PA) e Novo Progresso (PA). Pela proximidade e pelas vias de acesso disponíveis, esses moradores dependem dos serviços públicos de Paranaíta e Alta Floresta (MT) para suprir necessidades de saúde, educação e segurança. O problema jurídico é que os municípios mato-grossenses não podem, legalmente, realizar obras ou investimentos em território paraense. O ministro Flávio Dino propôs convocar o Estado
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