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Sábado, 17 de Outubro 2026
CIDADE INVISIVEL: A MANHÃ EM QUE ITAITUBA DESAPARECEU NA FUMAÇA
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CIDADE INVISIVEL: A MANHÃ EM QUE ITAITUBA DESAPARECEU NA FUMAÇA

Sem ETs no céu, a conta do sufocamento acabou caindo nas donas de casa e nos produtores, enquanto a fumaça de óleo diesel das fiscalizações finge que não existe.

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CADÊ ITAITUBA? O MISTÉRIO DO FUMAÇAL QUE COBRIU A CIDADE

Miritituba sumiu do mapa
Miritituba sumiu do mapa

ITAITUBA(PA), 17Out'2026 às 07hs36' - Abdução é, teoricamente, o suposto rapto de seres humanos (e de suas estruturas de conforto) por inteligências ou criaturas extraterrestres. Já o Arrebatamento é o evento bíblico no qual os seguidores de Cristo — vivos ou ressuscitados — serão subitamente tirados da Terra para o encontro celestial. De pronto, descarta-se a hipótese do Arrebatamento — com o devido perdão pela ironia ao tocar em tema sagrado, anunciado sem dia nem hora. Afinal, a dúvida que me assaltou no início desta manhã foi exclusivamente de ordem extraterrestre:

Teriam os discos voadores abduzido os moradores e os prédios de Itaituba?

Às oito da matina, bairros inteiros, o distrito de Miritituba e a minha própria casa haviam simplesmente desaparecido da vista. Como ainda me sentia pisando em solo firme, conclui que os alienígenas não me haviam levado.

Tudo começou quando me levantei nas primeiras horas da madrugada para as habituais atividades físicas no campo de provas do Batalhão da Polícia Militar. Saí de casa enfrentando enorme dificuldade: não se enxergava um palmo à frente do nariz. A impressão era de que o "piloto automático" do carro, movido por puro hábito, sabia para onde eu queria ir. E fui. Porém, ao chegar, não vi o prédio do Comando da PM e nem a pista. Durante a caminhada "no modo automático", saía involuntariamente do trajeto e me debatia nas margens.

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Imaginei, de início, uma catarata fulminante que me houvera empanado a visão. Tentei retornar ao veículo, mas não o enxergava. Sumiu! e ainda devo parcelas dele. Esfreguei os olhos e nada. No céu, não mais resistiam a lua e as estrelas, mas o Astro-Rei, já passava das sete da manhã, recusava-se a dar as caras.

De repente, percebi a presença de pessoas a poucos metros de mim. Ninguém falava; apenas tossiam. Era um "cof... cof..." generalizado e orquestrado. Foi quando caí na real: eu estava mergulhado em uma densíssima nuvem de fumaça.

Por volta das sete e meia, o movimento e o coro de tosses aumentaram. Eram os guardiões da segurança pública que chegavam para mais uma jornada de trabalho no Batalhão. Ali, compreendi definitivamente que não fora abduzido. Tampouco era o Arrebatamento, já que, a pouca distância, de minha casa em uma conhecida "boca de fumo", o movimento fluía normalmente — e esses, evidentemente, dificilmente estariam na lista dos salvos. Para completar a teologia de botequim, cruzei com alguns evangélicos pregando ardorosamente contra o governo, as pautas morais e o aborto. Diante desse cenário terreno demais, descarteí de vez a salvação celestial. Não acontecera o arrebatamnto.

Livre das teses místicas e alienígenas, passei a ouvir a voz do povo ao redor para decifrar o fenômeno. O falatório dizia que a nuvem tóxica era fruto das queimadas promovidas pelos produtores rurais. Para completar, a sabedoria militar de um bombeiro atribuía boa parte da culpa às indefesas donas de casa que ousam varrer e queimar folhas secas das frondosas mangueiras nos fundos de seus quintais — transformando senhoras de família nas novas vilãs do aquecimento global.

8 horas da manhã de 17.10.2026
8 horas da manhã de 17.10.2026

Analisando bem, pensei: os produtores têm lá sua parcela de responsabilidade, e as donas de casas criminosas do meio ambiente com seus amontoados de folhas secas completam o diagnóstico. Mistério resolvido? Não exatamente.

Procurando mais de perto, alguns populares comentavam que a fumaça exalava um inconfundível e forte cheiro de óleo diesel e plástico queimado. Mas como pode? Afinal, a firme repressão ambiental conduzida pelas forças policiais jamais usariam isqueiros, não queimariam máquinas, não incendiariam barracos nem destruiriam equipamentos garimpeiros.

É de conhecimento geral que, quando o Estado reduz maquinários à cinza, faz isso por meio de uma tecnologia mágica e ecológica de incineração sem fumaça!

Sendo assim, seria uma enorme leviandade sugerir que os ilibados homens da lei, guardiões da preservação ambiental, contribuem para o sufocamento que paralisa o tráfego terrestre, fluvial e aéreo, enquanto infesta os pulmões de crianças e idosos com crises respiratórias.

A culpa, sem dúvida alguma, é do produtor rural e da dona de casa com seu rodo e varredura de quintal. Esses, sim, precisam ser contidos com o rigor da lei pela fiscalização ambiental:

Essa mesma instituição abnegada que, como todos sabem, jamais acendeu uma chama no meio da mata.

8 horas da manhã de 17.10.2026
8 horas da manhã de 17.10.2026

FONTE/CRÉDITOS: Walter Azevedo Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Azevedo Tertulino

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