ITAITUBA(PA), 24Set'2026 às 09hs45' - As evidências e relatórios sobre o avanço do garimpo ilegal nas Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza são elaborados por organizações de investigação e próprios coletivos indígenas locais, que garantem que mesmo após o encerramento do processo oficial de desintrusão nas Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, o garimpo ilegal segue em franca expansão no Alto Tapajós. Uma sequência de relatórios técnicos elaborados por organizações indígenas — Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn, Associação Da’uk e Movimento Ipereğ Ayũ — em parceria com a Environmental Investigation Agency (EIA) comprova que a desmobilização formal não foi suficiente para estancar a logística da atividade ilícita.
Nota Técnica 06: Mapeamento de Precisão e Inércia do Estado
A Nota Técnica nº 06 marcou um avanço na denúncia ao utilizar um algoritmo inédito de detecção via satélite, desenvolvido pelo especialista Mark Fahey (EIA). Com imagens de alta resolução (3 a 5 metros) do Planet Labs, o sistema passou a rastrear pequenas clareiras e ramais clandestinos que passam despercebidos pelos monitores oficiais do governo federal, como o DETER/INPE e o Global Forest Watch.
O documento revelou que, a despeito dos alertas emitidos nas Notas Técnicas 01 a 05 entregues ao longo de 2025, o Estado manteve-se inerte, sem adotar medidas efetivas ou dar retorno institucional aos encaminhamentos propostos. O relatório mapeou e georreferenciou três frentes críticas de invasão:
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Avanço garimpeiro nas regiões dos rios Kabitutu, das Tropas e Marupá;
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Abertura de estradas clandestinas para transporte de máquinas pesadas na área do Parque Nacional do Rio Novo, dentro do território indígena.
Nota Técnica 07: Reativação Territorial e Operação com Máquinas
Dando continuidade às investigações, a Nota Técnica nº 07 documentou que, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a destruição não apenas persistiu, mas expandiu-se utilizando a infraestrutura logística anteriormente denunciada na NT 06. Registros de satélites de altíssima resolução (30–50 cm) confirmaram 10 novos pontos de exploração ativa (9 na TI Munduruku e 1 na TI Sai Cinza).
A gravidade do quadro foi ratificada em campo por fiscalização autônoma dos próprios indígenas no Jardim Kaboro'a. Em apenas três dias de monitoramento, a comunidade contabilizou 99 pares de máquinas ("quatinhas") em plena atividade, divididos entre os garimpos Cachoeira Jardim (31), Cachoeira Dois (22) e do Sapo (46). O avanço ocorreu sem consulta prévia às aldeias, acompanhado de destruição dos leitos dos rios e ameaças às lideranças tradicionais.
Colapso Sanitário e Violações de Direitos Humanos
A permanência e o adensamento do garimpo refletiram-se diretamente em uma crise sanitária e humanitária sem precedentes para o povo Munduruku:
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Surto de Malária: A Incidência Parasitária Anual nos polos base atingiu 231,6 em 2024 — mais de quatro vezes o limite de alto risco. Os casos graves saltaram de 25 em 2019 para 1.342 em 2024, representativo de um aumento de mais de 50 vezes.
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Contaminação por Mercúrio: Estudo longitudinal da ENSP/Fiocruz (2023–2026) revelou que 100% dos grupos investigados (incluindo gestantes, recém-nascidos e adultos) apresentam níveis de mercúrio no cabelo acima dos limites de segurança da EPA e do Ministério da Saúde.
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Mortalidade Perinatal: A taxa alcançou 39 óbitos por mil nascimentos em 2024 — três vezes a média nacional (13,0).
O encadeamento das evidências trazidas pelas Notas Técnicas 06 e 07 expõe que a ausência de fiscalização permanente permitiu a reorganização do garimpo ilegal, convertendo a omissão governamental em ameaça direta à sobrevivência física e cultural do povo Munduruku.
REMENDO RP
Cópias das Notas Tecnicas 6 e 7 com imagens estão nos arquivos da redação RP

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