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Quarta-feira, 24 de Junho 2026
À MESTRA, COM CARINHO! - MARIA DE LOURDES FREIRE BRAGA, A PROFESSORINHA
Homenagens/festas

À MESTRA, COM CARINHO! - MARIA DE LOURDES FREIRE BRAGA, A PROFESSORINHA

Maria de Lourdes não fora somente a primeira professora do município e sim uma mãe para muitas pessoas, e que o gosto pela leitura que estendia para os aluno...s

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ATENDENDO VÁRIOS PEDIDOS DE LEITORES DO BLOG RP INCLINADOS EM APOIAR À EDUCAÇÃO E CULTURA NO MUNICIPIO  ESTAMOS REPOSTANDO UMA MATÉRIA  POSTADA EM 2012

Abril 06, 2012

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PARTE - I

MARIA DE LOURDES FREIRE BRAGA - A PROFESSORA

Educação Escolar – O inicio de tudo na região do alto Tapajós

O conceito de educação escolar surge para distinguí-la do processo de educação, uma vez que este não ocorre, necessariamente, institucionalizado. A distinção entre os termos surge da percepção de que a escola é espaço de transmissão de uma cultura específica, chamada de cultura escolar - possuindo uma arquiteturamobiliáriotempos, ritmos e práticas peculiares.  - Wikipédia (A inciclopédia livre)

Professora Maria de Lourdes com esposo Idalécio Braga e seus primeiros filhos

Natural do estado do Piauí, onde às margens do Rio Parnaíba, no povoado de Morrinho, distrito do município de Parnaíba, viveu o inicio de sua vida com seus pais (Tiago Freire e Eduvirges Sales Vilar) e irmãos e ainda a parentela egressa do vizinho estado do Maranhão, depois se interiorizando pelo sertão, no tórrido  ano de 1.954, Maria de Lourdes era uma menina na pré-adolescência  que manifestava inteligência incomum para sua idade; em suas relações fraternais dentro de seu raio de ação social e que excedia em alegria cantando modinhas e cirandas de roda e contando historias de um mundo diferente, um mundo melhor para todos, mais justo, se todos fizessem uma busca: A Educação Escolar, lia em voz alta para aqueles que não conheciam a leitura e eram tantos naquele tempo; homens e mulheres rústicos, de roça, que não tiveram tempo de estudar já que a demanda do tempo gasto para famílias pobres era a busca incessante por alimentação no escasso sertão piauiense, onde o óleo do babuçu tão procurado era menos abundante que o suor desprendido pelas quebradeiras de côcos no esforço de produzirem renda familiar.

O INICIO DE UM SONHO – AS LONJURAS DO BRASIL

Contando com doze anos, mas ansiando por dezoito para achar uma oportunidade de extravasar seus dotes e prendas domesticas, com a finalidade de ajudar a família, vivia sonhando por uma vida menos sofrida para seus pais, queria  também poder colocar em realidade um  sonho acalentado em tantas noites  enluaradas de Morrinho; ser professora, ensinar a petizada, como faziam algumas mocinhas em seu povoado. Mesmo em tenra idade sendo a caçula do casal Tiago e Eduvirges, sentia a necessidade em ajudar a mãe a cuidar dos afazeres domésticos, como reduzir os galhos de árvores em achas de lenhas, cozinhar os alimentos, quebrar côcos babaçu, lavar roupas, reservava tempo extra  para a literatura de cordel que através das poesias romanceadas bem rimadas, que colocavam em confronto Lampião e Maria Bonita com as volantes, a levaram a gostar de ler e exibir-se com seu dotes de menina  que gostava da leitura e a declamar versos do conterrâneo maranhense  Gonçalves Dias. A Inteligência da pequena Maria de Lourdes, sempre aguçada por um espírito aventureiro incontido a levavam a querer conhecer as lonjuras do Brasil; melhor se fosse pras brenhas do Pará, confidenciava à sua mãe.  Por ter como hábito a leitura, e mesmo com poucos anos dedicados ao estudo regular aprendera noções básicas de aritmética e gramática por vontade própria, discorria leituras desde os livretos de cordel passando por romances, e almanaques que viajantes ou caixeiros viajantes de passagens  por Morrinho deixavam pela única  barbearia da localidade.

RECRUTADOS – EXPLORAÇÃO DA hevea brasiliensis - FEB

Sua expectativa  em deixar sua terra natal em busca de novas plagas realizou-se   quando seu pai sob promessas de novos tempos para mudar a sina de lavrador do tórrido Piaui foi convencido por compadres que abundam sempre na organização social de pequenos aglomerados humanos, quando juntam-se mais para lamentar a sorte que propriamente para comemorar algo importante. Naquele dia a família de Maria de Lourdes não necessitou de muita conversa para ser convencida a vir para o Pará, já que fora recrutada vir para a Amazônia, para a exploração de látex (hevea brasiliensis) nos seringais nativos, que é uma árvore nativa e originaria da bacia hidrográfica do Rio Amazonas,  como milhares de nordestinos já faziam desde o transcurso da segunda Grande Guerra Mundial. 

À época o mundo vivia ainda os rumores do final da Guerra, com a destruição de Nagasaki e Hiroshima motivada pelo bombardeio à base americana de Pearl Harbor pelos japoneses, e a economia global destroçada obrigava todos a empreenderem recuperação de suas nações. O Brasil não fugira a regra e mesmo tendo minúscula participação na Guerra, em Monte Castelo na Itália através da Força Expedicionária Brasileira, foi mesmo na selva amazônica que travou sua guerra maior ajudando os aliados e que   teve em todo o transcurso papel importante de ajuda aos americanos com o Batalhão de retirantes nordestinos que fortaleceram o nome do Brasil no chamado esforço de guerra ajudando os aliados, em  guerra paralela, não menos letal  que era ter que enfrentar as hostilidades de uma floresta tropical para guerreando contra malarias, cobras, onças e até índios produzirem a principal trofeu pós guerra “O látex” que ajudava a economia americana a se recuperar e ja ajudara no esforço de guerra desprendida.  A borracha, derivado do leite da seringueira ajudava a indústria pneumática e isso gerou renda para financiar a guerra e recuperação da economia americana. Os gringos decididamenten ajudaram à época a criar o banco da Amazônia para financiar o fábrico da borracha e o SESP serviço de saúde pública, para promover a saúde do amazônida enfiado na densa floresta tropical.   Estava decidido: a família viria para o Pará e a decisão foi celebrada com outras famílias que atravessavam o Piauí vindas do Rio Grande do Norte e Ceará que de passagem destinavam-se à Amazônia.

O EXUBERANTE TAPAJÓS – ENTREPOSTO DE COMÉRCIO DE BORRACHA

A pequena e irrequieta Maria de Lourdes,  super ativa na arte de comunicar-se  manifestava sua alegria em conhecer novos ares, e depois de passarem pelo maranhão de seus pais e Belém, rumaram para Santarém a porta aberta para o Alto Tapajós, um dos afluentes do Rio Amazonas rico em espécimes vegetais e não menos rico em ouro branco (hevea brasiliensis). Na foz do Tapajós, deixando Santarém para traz com o seu exuberante encontro das aguas dos Rio Tapajós e Amazonas, os olhos dos retirantes perscrutavam cada ave que alçava voo, cada peixe que saltitava aqui e acola no caudaloso e limpido rio, cada ribeirinho às margens no quotidiano de sua vida de pescador e coletor e da proa empoleirados do batelão singrando o Tapajós, principalmente a pequena Maria de Lourdes  deliciava-se com as boas novas que tanto sonhora. Depois de alguns dias de viagem passando ao largo de alguns aldeamentos de nativos entre esses Alter do Chão, Pinhel, Takuara Boim, fizeram parada de momentos em Fordlandia local de grande investimento de Henry Ford  para a fabricação da borracha; chegaram e atracaram para comprarem viveres em Itaituba, e após um dia de viagem partindo de Itaituba prosseguindo a jornada estavam atravessando a cachoeira de Pimental e São Luiz onde parte do percurso passaram a pé carregando seus pertences e mercadorias dos demais viajantes. Após algumas paradas de dias nas corredeiras do mangabal, para descansarem e resolver problemas mecânicos do batelão, ocasião em que aproveitavam para  pescar e se admiraram da fartura de peixes chegaram na desembocadura do Rio das Tropas, terra de perambulação dos índios Munduruku  afugentados  dos limites do Rio Crepori, local que se estabeleceram em um pequeno aglomerado humano de onde os “patrões” recrutavam as famílias para a extração do leite de seringa e onde fomentavam o comercio ou escambo de produtos industrializados pela borracha transformada da seiva da hevea brasiliensis.

OS REGATÕES – A PRÁTICA DO ESCAMBO

A pesca era farta, tanto no Tapajós quanto em seus pequenos tributários  e a alimentação tantas vezes escassas no Piauí, no alto Tapajós fazia a alegria da família. Já estava em  mãos o básico para modificarem um pouco a árdua vida, forno de torrar farinha, catitu e a puba se fazia farta também; com suas economias bem regradas, iniciaram fazendo compras em regatões; querosene, café, açúcar, fumo de rolo, específico pessoa (contra ofidismo),  panvermina, biotonico  fontoura e emulsão de scott para fortalecer e corar  a petizada  e dias depois já praticavam o escambo tal qual os indígenas, compravam o que necessitavam trocando, por castanhas, cipós titica, sova, mel de abelhas, andiroba, copaíba e um pouco do excedente da borracha já que em  sua maioria já estava contratada pelos patrões. O impacto inicial não foi tão ruim, apesar de mosquitos, contos de índios hostis, malarias, onças... A aridez do solo onde residiam no nordeste não permitia o ano inteiro colherem tanto milho, mandioca, arroz, cara, batata enquanto que o solo fértil da Amazônia devido os tantos cursos d’águas faziam por certo com que nunca vissem mais o fundo da panela. Todas os problemas inicialmente enfrentados estavam valendo a pena, vez que no nordeste apesar do amor como terra natal a familia e milhares de retirantes não estavam suprindo sequer as necessidades básicas de sobrevivência. O esforço de guerra a qual sua família e tantas outras estavam submetidas na certa traria recompensa já que a desesperança que tinham no futuro na terra nordestina se apagaria logo de suas mentes. O trabalho inicialmente foi bravo, adaptação à região, modificação de costumes, e longas tardes domingueiras sem os compadrios de costumes com os parentes que ficaram, mas dava bem para perceber que novo enredo de suas vidas seria composto e não somente a família da pequena Maria de Lourdes  e sim levas e mais levas, de retirantes nordestinos aspiravam novos rumos de sobrevivencia. Eram esses, mais corajosos que aventureiros  que invadiam a inóspita Amazônia, vindos do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, fugindo do horror da miséria provocada pela prolongada estiagem. Pessoas tais acostumadas aos desafios da vida,  às dificuldades pela luta por sobrevivência,  combatiam mais uma vez as adversidades da vida no momento, sabendo que valeria o esforço por futuro promissor as hostilidades advindas do contato com a floresta tropical onde cobras, índios, onças e malária era facilmente superados pela vontade férrea do nordestino em alcançar progressos econômicos na Amazônia, onde os “Açudes”  não secavam e as águas eram abundantes e altamente piscosas. Pensavam jamais verem o fundo do alguidar... e nunca veriam.

O CUIDADO DOS IRMÃOS -   JACAREACANGA

Mesmo com destacada sabedoria sobre assuntos contemporâneos Maria de Lourdes, não entendia nada sobre o esforço de guerra que estavam fazendo, não entendia que também sua família estava na guerra e que o Brasil fez  parte na  II Guerra Mundial contra forças  Russas, Italianas etc...  e enquanto os pracinhas brasileiros combateram em Monte Castelo, uma nova guerra era travada em solo amazônida junto com outros soldados da borracha, denominada esforço de Guerra. Nesse ínterim, uma  menina em tenra idade, com quase 13 anos,  que ainda não conhecera carinho algum que não fosse do rústico amor dos pais, e que nas horas que não estava  sob  os cuidados de seus irmãos mais velhos, vivia se admirando dos encantos do caudaloso Rio Tapajós e suas praias de areias brancas onde em suas horas de folga serpenteava  percorrendo as areias brancas, pulando nas águas cristalinas  e rabiscando nas areias, seu nome propriamente, e o lugar que adotara em seu coração e que faria historia como uma das primeiras mestras educadoras da região: Jacareacanga.

A pequena Maria de  Lourdes, e sua família pouco tempo depois  se fixarem na Vila de Jacareacanga, que era um entreposto comercial para garimpos do Tapajós e onde os indígenas Munduruku vez em quando apareciam em suas pequenas canoas trazendo pescados que chamavam de aximã  como, aracus, pintados, jaraquis, tambaqui, tracajás, frutas como  batatas, carás, e farinhas  puba e tapioca, para praticarem o escambo com os comerciantes; levando açúcar, sandálias, isqueiros, querosene, panelas e alguns ja mais afoitos, afeiçoados a aguardente que eram sorvidas em generosas talagadas conforme costumes dos brancos ja copiados pelos indigenas e que os deixavam sonolentos e alvos faceis e preferidos de aventureiros comerciantes que instituiram o assedio economico à época.

________em seguida segue a saga da professorinha:

  • A PROFESSORA
  • FAG
  • CONTRATADA POR MILITARES
  • ENSAIO DE GOLPE MILITAR
  • OS REBELDES VELOSO E LAMEIRÃO
  • AUDACIOSO PLANO – APOIO AOS REBELADOS
  • PARTILHA E SOLIDARIEDADE - IDALECIO MENDES BRAGA
  • O CASAMENTO – AS VIAGENS DE MISSIONÁRIOS
  • MILA E DOCA SALES – LOURDES E DECO BANDEIRA – CLARA E PEDRO RIBEIRO
  • RECLAMAÇÃO DA FAMILIA – 1988 MORRE A PROFESSORINHA – A PONTUALIDADE, UM MARCO
  • O DEPOIMENTO DA ANCIÃ BRAZILINA -  A VERDADE NÃO SE PODE OCULTAR.

À MESTRA, COM CARINHO - II

Walter Azevedo TertulinoAbril 09, 2012

PARTE - II (final)

MARIA DE LOURDES FREIRE BRAGA - A PROFESSORA

Pouco tempo depois de estar residindo na Vila, e misturar-se com a sociedade local, foi convidada com 14 anos para lecionar na única escola mantida pela FAG (Fundo de Assistência aos Garimpeiros) e FAB (Fôrça Aérea Brasileira), pelas professoras Sebastiana e Maria do Márcio, esposas de militares da Força Aerea Brasileira  que trabalhavam no sistema de comunicação aérea da FAB, e que por não existirem professoras na região, mesmo tendo sido levado em consideração que Maria de Loudes tinha somente 14 anos essa foi contratada e inicialmente paga pelos militares. Parte daí, informações preciosas de Maria de Lourdes Freire Braga ser a primeira professora de Jacareacanga. Maria Emilia que cede seu nome a Colegio na Sede do Municipio chegara somente após a revolução de Veloso e em todo o transcurso da revolução a pequena Maria de Lourdes  ja lecionava em um espaço cedido pela FAG, e que muito tempo depois  fora contratada pelo municipio e dias mais tarde pelo Estado.

ENSAIO DE GOLPE MILITAR – OS REBELDES VELOSO E LAMEIRÃO

Mesmo sem entender muita coisa da evolução politica brasileira que vivia seus áureos tempos de estado de excessão, no ano de 1.956, em sua pequena mesa de mestra com seus livros de professora e a classe contando com pouco mais de doze alunos, professoras  e alunos subitamente foram despertados pela preocupação reinante no povoado  de que algo não ia bem, existindo um clima pesado e aumentou a aflição quando um avião  em varios sobrevoos pela vila pousou na pista de chão batido  e como não era comum esses a professora e alunos se encaminharam às pressas para o campo de pouso alem de toda a vila que ja estava la, para ver o “Bichão” que estrondava com seus motores fazendo a poeira levantar, mais bonito para época foi verificar aqueles homens fardados e armados descendo da aeronave  que causavam admiração e faziam moçoilas suspirar sonhando acordadas. Até o momento ninguem sabia, que os militares eram sublevados ou insurgentes do sistema governamental brasileiro  que queriam a deposição do Presidente da República  recem empossado Juscelino Kubitschek por questões meramente políticas.Jornal do estado deo Pará, exagerava que Santarém seria bombardeadaMesmo causando furor no cenário nacional a rebelião  contra o Presidente da República o povoado de Jacareacanga não compreendia o sistema governamental inoculado por motins e a presença de um oficial da aeronáutica como Veloso causava admiração  e pouco tempo depois os militares amotinados estavam familiarizados  com a população  que tambem correspondia ao enlace fraternal, mais radiantes se mostravam ao estarem  bem proximos de uma lenda viva que dentre em pouco viraria para a região: Haroldo Coimbra Veloso, que hoje empresta o nome a logradouros públicos de muitos municipios do Pará. Era a primeira vez que o Brasil tomava conhecimento que no ermo da amazônia, nas selvas do Pará existia uma vila com o nome de Jacareacanga. Era vivido pelo povo nativo e migrante da região, pelos soldados da borracha que o Major Aviador  Veloso  e o Capitão José Chaves Lameirão e alguns  comandados em ensaio de golpe militar  contra o mandatário da nação que tomara posse menos de um mês antes se rebelara contra o regime.

AUDACIOSO PLANO – APOIO AOS REBELADOSO

jovem militar  rebelado Veloso  ostentava a patente de Major-Aviador  Naquela manhã  de fevereiro nublada que prenunciava pancadas de chuvas devido a estação do momento executando um audacioso plano juntamente com meia duzia de militares no campo dos Alfonsos Rio de Janeiro em um voo regular de trabalho desviaram a aeronave e rumaram como insurgentes do regime, para a Base Aérea de jacareacanga, que sempre teve sua importancia para a aeronautica como referencia de uma aerovia de navegação e comandava  da pacata vila de Jacareacanga o ensaio de golpe militar, que ja tinha contaminado as localidades de Cachimbo, Belterra, Itaituba, Santarém e  Aragarça. Fato interessante que não somente a  professorinha como todo o povo das localidades que foram contaminadas pela rebelião deram apoio para os rebelados.  A professorinha se interessando pela epopeia vivenciada em solo da região tempos depois com um giz na mão elevava aos píncaros da glória a historia de Haroldo Veloso aos seus alunos tecendo informações detalhadas de toda a historia até o exilio de Lameirão e outros para a Boliva a a prisão de Haroldo Veloso no dia 29 do mesmo mês. Maria de Lourdes Freire Braga, através da educação e interação com seus alunos contribuiu para que fosse perpetuado no seio da sociedade Jacareacanguense e região o nome Haroldo Coimbra Veloso como vulto historico de relevante importancia para nossa região.   

PARTILHA E SOLIDARIEDADE – IDALECIO MENDES BRAGA

Idalécio Braga - o esposo e primeiro vice prefeito de Jacareacanga, imediatamente atrás a esposa Maria de Lourdes, sendo ladeado pelas filhas, na inauguração de um clube esportivo em Jacareacanga

Maria de Lourdes sempre teve como principio a solidariedade humana e compartilhava com os outros seus pensamentos e feitos, dividia entre as pessoas os mimos que recebia  em seu aniversário comemorado pela família em 25 de Dezembro; costumava dizer que era uma data da cristandade e partilhar seus presentes era uma maneira de celebrar o cristianismo e a amizade e tudo que ganhava era partilhado; só nunca partilhou seu coração que esse dedicou a um cidadão de baixa estatura, funcionário da FAG,  de olhos claros e irrequietos que firmavam no horizonte uma busca incessante: O coração da jovem professorinha. Não era fácil se aproximar dessa, já que dava atenção primordial por seu trabalho e para aceitar a côrte de Idalecio Mendes Braga, vários litros de querosene por semana se consumiram  na fumegante lamparina  para iluminar mais distante, colocada à soleira da porta pelos pais, para vigiar o casal de namorados, à época mais famosos da Vila, já que os rapazes em sua maioria  suspiravam pela professorinha que fora contratada por funcionários da FAB e FAG, e depois da revolução de Veloso pelo município e depois ainda pelo estado de onde recebera um considerável reforço para a educação que foi a  colega professora Maria Emilia outro ícone da educação no município em toda sua historia.

O CASAMENTO – AS VIAGENS DE MISSIONÁRIOS

Em uma cerimônia religiosa do ano de 1.958 a professora casou-se. Com a presença do Padre Frei Angélico que vindo da prelazia de Santarém com a intenção de fazer vários batizados e casamentos na Missão Cururu, aproveitou a viagem e de passagem pela vila de Jacareacanga fez vários casamentos no barracão comunitário da vila. Frei Angélico fazia essas viagens semestralmente, em companhia de outras pessoas vinculadas aos Franciscanos, e subia o Rio Tapajós em um motor de popa 10-12  percorrendo o Tapajós desde sua foz à nascente que era a confluência dos Rios Teles Pires e Juruena, e mesmo com pouca atividade católica na Vila sempre parava à convite da comunidade, para logo depois retomar sua viagem até a Missão Cururu, de onde vinha com sua equipe de retorno à pé, percorrendo os campos e savanas dos temíveis Munduruku até chegar em Decodemo e Kaburuá, para além de levar as boas novas aos indígenas, batizar e casar os indígenas que na verdade nada sabiam sobre esse sacramento, mas a presença dos Paim era motivo de festas pois traziam à tiracolo fartos quilos de bombons, que  pelo sabor dava até para aguentar os sonolentos e  infindáveis sermões. De Kaburua a viagem continuava pelos campos até chegar  aos igarapés formadores do rio Kabitutu até a Aldeia Porto; de canoa chegavam até a foz que desaguava no tapajós próximo a vila de Jacareacanga.

MILA E DOCA SALES – LOURDES E DECO BANDEIRA –CLARA E PEDRO RIBEIRO

O casal Idalecio e Maria de Lourdes era o mais festejado e em meio a tanta alegria; de uma só vez casaram também Mila com Doca Sales, Lourdes com Deco Bandeira, Clara com Pedro Ribeiro, Rosa Freire com Francisco. Em meio a alegria incontida de se unirem em matrimonio Idalecio e Maria de Lourdes prometeram viver em perfeita harmonia, e tempos depois  recebiam a primeira dos 15 filhos Evanilda e nos anos seguintes vieram Ednilza, Maria do Socorro, Raimunda Evanicy, Maria das Graças, Edevan, Erivan, Elenicy, Idalecio Filho, e Itamara que conseguiram sobreviver na inóspita região e ajudam até os dias atuais a perpetuar em suas mentes a bela historia da mãe. Idalecio que enveredou pela politica sendo eleito vice-prefeito na primeira eleição depois da emancipação e hoje vinculado ao serviço publico municipal como assessor do  Poder Executivo, pontua saudoso a trajetória de sua esposa como companheira, mãe e professora, e destaca que sua esposa já falecida e seus filhos aprenderam a amar tanto a região que criaram todos os filhos em Jacareacanga, e ainda inclui na informação que mesmo os filhos em numero de  cinco falecidos encontram-se sepultados no cemitério local juntos com a  saudosa e memorável esposa e professora.

RECLAMAÇÃO DA FAMILIA – 1988 MORRE A PROFESSORINHA – A PONTUALIDADE

Graça uma das filhas reclama a memória do povo de Jacareacanga e principalmente dos políticos que nunca perpetuaram o nome de sua mãe em um logradouro publico como mereceu Maria Emilia, e com maior ênfase destaca que o inicio dessa acelerada educação no município teve sua gênese  com uma menina de 14 anos vinda do Piauí, que construiu sua historia no município, como uma competente professora, esposa dedicada, mãe exemplar e amiga sincera de todos  e que com sua morte em  5 de janeiro de 1.988, foi sepultado também o amor desmesurado pela arte de educar. Incitava os filhos e alunos à leitura que era uma forma de viajar, e contava que através da leitura antes de vir para o Pará, já imaginava como as coisas seriam porque viajava nessas leituras. Interessante de tudo, acrescenta a filha Graça, que sua mãe passava a semana toda em sala de aula lecionando e nos finais de semana ainda lecionava em sua casa à guisa de reforço nos alunos mais atrasados queria todos em igualdade de condições. Era fissurada na pontualidade e dizia que a pontualidade trazia a responsabilidade que deveria ser o objetivo de todos os seres humanos por um mundo cada vez melhor. Graça mostra toda a decepção da família pelo que considera uma grave omissão dos políticos dentre esses os vereadores que deliberadamente esqueceram o nome de sua mãe, e fala que mesmo que não a tenham conhecido ao menos estudando a historia política do município e a saga de Haroldo Veloso nela encontrarão a existência e atuação na área de educação de sua mãe que é uma injustiça não ser lembrada. Acrescenta Graça, que quando o colégio hoje denominado estranhamente de Carmem Valente foi construído ocorreu farta discussão entre  o corpo de professores e alunado sobre qual nome deveria ser destinado ao educandário e após as discussões ficou decidido pelo nome de sua mãe e depois disso  sem motivos que se justificassem o nome de sua mãe foi preterido por outro nome totalmente estranho à municipalidade.

Na imagem identifica-se a Professora Maria de Lourdes, Professora Suzana, um comunitário chamado Luizão, por ocasião de um desfile de 7 de setembro na comunidade de Jacareacanga municicpio de Itaituba, nos anos 70

O DEPOIMENTO DA ANCIÃ BRAZILINA -  A VERDADE NÃO SE PODE OCULTAR

A anciã Brazilina Martins que chegou na região em 1.949, conheceu toda a trajetória da matriarca dos Freire Braga em Jacareacanga, e depõe que Maria de Lourdes não fora somente a primeira professora do município e sim uma mãe para muitas pessoas, e que o gosto pela leitura que estendia para os alunos, seu apego às coisas do bem e a contagiante e incansável luta por educar eram a tônica da mestra. Lembra Brazilina que muitos dos seus filhos foram alfabetizados por Maria de Lourdes que não fazia acepção de pessoas, e que a todos tratava em igualdade de condições diferentes apenas pelo esforço individual em aprenderem. Conclui a anciã que a professorinha tinha por lema que a melhor riqueza que os pais poderiam deixar para os filhos seria o saber e isso sempre divulgava em seu circulo de ação e reuniões com os pais na escola. 

A verdade não se pode esconder por isso diz Brazilina que não sabe o porquê da primeira professora de Jacareacanga não ter seu nome imortalizado em uma Escola como teve Maria Emilia. Vai mais além Brazilina ao perguntar também o porquê  do professor João Azevedo da barra de São Manuel não merecer tambem reconhecimento por seus trabalhos, e ainda dispara criticas aos prefeitos perguntando quem é Carmem Valente para ter o nome em um colégio, já que desde 1.949 não conheceu quem é essa pessoa e nem sua historia. E por fim Brazilina diz sobre Carmem Valente: Falam que é uma mulher la de Belém que não sabe nem onde é Jacareacanga, e é mãe de  uma funcionaria de um ex-prefeito.

Desde aquele longinquo 1.956, mais de cinco décadas nos distanciam  de uma minuscula vila de pescadores onde gravitavam os soldados da borracha e indios Munduruku à procura de produtos industrializados. Acima a imagem mostra apenas uma parte de Jacareacanga nos dias atuais.De uma dezena de alunos que Maria de Lourdes começou a alfabetizar, hoje a Secretaria de Educação do Municipio contabiliza quase oito mil nos ensino, fudamental, médio e superior. -E tudo começou com ela, a Mestra eterna MARIA DE LOURDES FREIRE BRAGA - A PROFESSORA.

Escola de 1.956 (Ilustrativa)Escola 2.012

Escola da década de 50

SENHORES POLÍTICOS DE JACAREACANGA:

SALVEM AO MENOS A MEMÓRIA DA ETERNA PROFESSORA MARIA DE LOURDES QUE NUNCA MERECEU HOMENAGEM ALGUMA DO MUNÍCIPIO,  MESMO COM SUA IMPORTÂNCIA PARA A EDUCAÇÃO DA REGIÃO. LEMBREM-SE TAMBEM DO PROFESSOR JOÃO AZEVEDO DA BARRA DE SÃO MANUEL.

 

"Verba volant; scripta manent"
“A DIFERENÇA ENTRE A PALAVRA CERTA E A PALAVRA QUASE CERTA, É A DIFERENÇA ENTRE O RELAMPAGO E O VAGALUME"

FONTE/CRÉDITOS: WAT/RP
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): WAT/RP

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