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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
DEVORADA POR JACARÉ: RIO CURURU ONDE A VIDA ENCONTRA O PERIGO
Obituario

DEVORADA POR JACARÉ: RIO CURURU ONDE A VIDA ENCONTRA O PERIGO

Desaparecimento de Criança na Aldeia Santa Maria Reacende Cobrança por Controle de População de Répteis

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JACAREACANGA (PA), 27Jun'2025 às 09h12' – Uma profunda tristeza e um alarme crescente pairam sobre as margens do Rio Cururu, em Jacareacanga, no sudoeste do Pará. A comunidade indígena Munduruku da Aldeia de Santa Maria, um populoso aglomerado humano no místico Creputiá, lamenta o desaparecimento de uma criança em idade escolar, que, segundo relatos, teria sido devorada por um jacaré, réptil abundante nas águas límpidas do rio. Santa Maria pertence aos aglomerados humanos que margeiam o Rio Cururu cujo é habitado por uma população estimada entre 4 a 5 mil pessoas, distribuídas em mais de três dezenas de aldeias, evidenciando a amplitude do problema

Este trágico incidente reacende uma antiga e dolorosa preocupação entre os Munduruku: a alarmante superpopulação de jacarés no Cururu. O rio, vital para a subsistência e cultura indígena, testemunhou um desaparecimento similar há anos, quando o ancião Floriano Tawé, um respeitado professor aposentado, sumiu durante uma pescaria. Apenas suas sandálias e caniço de pesca foram encontrados na beira do rio, em um cenário que, desde então, atribui seu sumiço a um ataque de jacaré.

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Para os Munduruku, os rios são mais do que fontes de alimento; são vias de integração social, locais de higiene e, para as crianças, redutos de entretenimento e alegria. Nadar e brincar nas águas faz parte do quotidiano e da cultura tribal desde os primeiros passos. Essa conexão profunda, no entanto, coloca a comunidade em constante vulnerabilidade diante da crescente ameaça dos predadores.

A superpopulação de jacarés no Rio Cururu é um paradoxo preocupante. Embora os répteis pudessem, em tese, servir como fonte de alimento para a população indígena, auxiliando no controle populacional, eles não são parte dos hábitos alimentares Munduruku. Esse desequilíbrio tem gerado outra grave consequência: a depopulação de pescados devido à acirrada concorrência com os jacarés, ameaçando a base da dieta alimentar tribal.

Desde a década de 90, a população indígena, por meio da Funai, tem solicitado aos órgãos ambientais federais um projeto de manejo e controle populacional dos répteis. A ideia de utilizar a pele e o couro para o comércio, em defesa da economia tribal, nunca prosperou e parece ter sido engavetada, sem qualquer pronunciamento das autoridades em Brasília. O faz de conta oficial agrava a situação, deixando os Munduruku à mercê da natureza desequilibrada.

Jacarés são animais selvagens e podem, de fato, confundir humanos com presas, especialmente em áreas de alta concentração e em períodos de seca, quando os níveis da água diminuem. Relatos de ataques a cães, patos e outros animais domésticos são comuns, demonstrando a fome e a audácia desses predadores que avançam da água.

Neste momento de dor e desespero, estendemos nossa solidariedade a toda a população indígena de Santa Maria e aos familiares da criança desaparecida. Que Deus conceda resignação e coragem para suportarem essa imensa perda.

Próximos Passos na Reportagem:

Em uma postagem futura, aprofundaremos ainda mais essa questão, abordando o relato de uma família que perdeu três pessoas (pai e filhos) em um naufrágio seguido de ataques de jacarés, em um local contíguo à cidade de Jacareacanga. 

FONTE/CRÉDITOS: Walter Azevedo Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Azevedo Tertulino

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