ALDEIA KARAPANATUBA SEDIARÁ ASSEMBLEIA DO POVO MUNDURUKU COM FOCO NA REESTRUTURAÇÃO DA FUNAI E SUCESSÃO NA COORDENAÇÃO REGIONAL
JACAREACANGA(PA), 04Nov'2026 às 20hs59' - De 15 a 17 deste mês, a populosa aldeia de Karapanatuba será o cenário de mais uma Assembleia Geral do Povo Munduruku. Coordenado pela Associação Pusuru — principal entidade de proteção aos direitos indígenas da etnia —, o encontro tem como principal expectativa a presença da presidente da Funai, ao menos na abertura dos trabalhos, anunciam os indígenas.
Na pauta, diversos temas serão debatidos, com destaque para o fortalecimento do órgão indigenista federal. Atualmente sucateada, a Funai precisa passar por uma reestruturação profunda para alcançar seus objetivos constitucionais com presteza e eficiência em prol da coletividade indígena do Brasil.
Persiste impasse na coordenação de Itaituba desde a exoneração do coordenador regional da Funai, professor Hans Amancio Kabá Munduruku, onde a autarquia tem sido gerida interinamente pelo indígena Ivanildo Saw, que atua como coordenador substituto.
Lideranças e comunidades têm se articulado intensamente — inclusive por meio de debates virtuais — em busca de um nome de consenso para sugerir à presidência do órgão. Para arrefecer os ânimos após a saída de Hans Kabá, a presidência da Funai teria sinalizado que aceitará a indicação de outra liderança indígena para a titularidade do cargo.
Historicamente, três indígenas já passaram pela direção do órgão em Itaituba: Deuzivaldo, Ademir e Hans. No entanto, o balanço interno aponta que gestões anteriores acabaram não correspondendo integralmente às expectativas da própria base comunitária.
A experiência que tive à frente da Administração Regional da Funai em Itaituba por quase quinze anos reforça que é inteiramente saudável e legítima a ocupação do cargo de confiança da Unidade por um gestor indígena.
A etnia conta hoje com um quadro qualificado de professores, sociólogos, advogados, bacharéis em direito, engenheiros agrônomos e enfermeiros, muitos com pós-graduação. O entrave, contudo, reside na falta de preparo específico em gestão pública antes de assumirem o posto. (Walter Tertulino)
A gestão federal exige rigor técnico extremo, especialmente no cumprimento da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) e no manejo de dotações orçamentárias. Erros formais simples podem paralisar serviços essenciais nas aldeias por meses e gerar graves desdobramentos jurídicos.
Nesse contexto, a Funai, em Brasília, não pode se eximir de sua responsabilidade institucional: cabe ao órgão central garantir a devida capacitação técnica aos indicados antes que assumam responsabilidades administrativas tão complexas.
Divididos entre a pressão cotidiana das aldeias — que demandam respostas imediatas — e as travas burocráticas e legais do sistema, os gestores que tomam posse sem treinamento adequado acabam enfrentando um desgaste insustentável. O ciclo tem se repetido: o nome é indicado pela comunidade, nomeado pela presidência, assume sem capacitação em gestão pública, esbarra nas exigências legais, reduz a produtividade e, por fim, acaba tendo a saída exigida pelos próprios parentes. Aconteceu com Deuzivaldo, Ademir e Hans, e ameaça se repetir caso a política de formação não mude. (WAT)
Para romper com essa engrenagem de desgaste, o caminho ideal apontado por quem conhece a rotina da instituição é que o próximo indicado passe por um período de ambientação e capacitação prévia nos corredores da Funai, em Brasília, assimilando a rotina operacional, logística e orçamentária do órgão antes de assumir a cadeira em Itaituba.
A assembleia em Karapanatuba promete ser o termômetro decisivo para definir os rumos políticos e administrativos da representação indigenista no Alto Tapajós.


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