ONÇA-PINTADA ATACA CRIANÇA DE OITO ANOS EM ROÇA FAMILIAR NA ALDEIA PRATATI/CAJUAL NO ALTO RIO CURURU, JACAREACANGA
Vítima foi socorrida em estado grave e transferida de avião para Itaituba; episódio reaviva alertas sobre predadores e mobiliza crenças ancestrais do povo Munduruku.
VÍDEOS E/OU IMAGENS DA CRIANÇA DEIXARÃO DE SER EXIBIDAS NESTA POSTAGEM DEVIDO O FORTE IMPACTO EMOCIONAL QUE CAUSAM A PESSOAS MENORES DE IDADE E PESSOAS NERVOSAS.
A onça morta depois de atacar a criança
JACAREACANGA / ALDEIA PRATATI-CAJUAL (PA)17Out'2026, às 22h59 - Um clima de profundo alvoroço e apreensão tomou conta das terras indígenas do povo Munduruku (nas TIs Munduruku e Sai Cinza) na noite deste sábado, com a incômoda e estarrecedora notícia do ataque de uma onça-pintada a uma criança do sexo feminino de apenas oito anos, neste dia (17)nove horas da manhã.
A Aldeia Pratati/Cajual localiza-se no Alto Rio Cururu, nas proximidades da Cachoeira Creporiá (Creputiá) — um local de profunda relevância sagrada para os indígenas. Ali, os clãs das Aldeias Pratati e Cajual mantêm suas roças familiares, que distam entre meia hora e uma hora de caminhada do aglomerado humano principal. É nesses locais de cultivo que muitas famílias passam boa parte da semana — especialmente no período de férias escolares —, dedicando-se ao plantio, à coleta, à pesca e à caça.
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Foi exatamente esse o cenário que antecedeu a tragédia. Parentes da vítima trabalhavam na terra, efetuando o plantio da maniva/mandioca, enquanto o pai da criança dirigiu-se a um córrego próximo ao abrigo temporário da roça para buscar água. O igarapé, que desemboca no Rio Cururu, ficava a poucos metros de onde a família estava instalada.
Nesse breve intervalo em que o pai (identificado como Laudelino ou Avelino Yotõ) se ausentou para abastecer os recipientes de água, o felino — um animal de médio porte que, pelas imagens divulgadas, apresentava extrema magreza e aparentava estar faminto — investiu com extrema ferocidade contra a garotinha. O ataque desferiu profundos e preocupantes cortes de garras e dentes pelo corpo e prinxcipalmente pela cabeça da menor.
Diante dos gritos de pavor e dor da menina e dos urros do animal, o pai e outros parentes que estavam nas proximidades correram ao local e abateram o felino, num gesto de desespero para libertar a criança de suas garras. Esvaída em sangue e respirando com extrema dificuldade, com graves ferimentos no rosto e cabeça a menina lutava pela vida. Em meio ao desespero dos familiares, ela foi levada de imediato para a sede da aldeia e, em seguida, removida por transporte aéreo de emergência para atendimento hospitalar em Itaituba. A criança resistiu à viagem e encontra-se sob intensos cuidados médicos. O predador faminto foi morto no local, trazendo um amargo sossego provisório aos comunitários.
A onça-pintada, ou jaguar (Panthera onca), é uma espécie de mamífero carnívoro da família dos felídeos que habita as Américas, com forte predominância na Amazônia brasileira. Na região do Alto Tapajós, já há diversos registros históricos de ataques desse felino a integrantes de comunidades indígenas, e o trágico episódio de hoje soma-se a um histórico marcante, que inclui precedentes fatais.
É sabido por nativos da região que ataques de onças ocorrem com mais frequencia e intensidade entre julho/agosto tempo do cio e acasalamento.
Paralelamente ao choque do ataque, um componente cultural ganha força nas redes sociais e nos relatos da comunidade nesta noite:
Para o povo Munduruku, a presença daquele animal — de porte pequeno e visivelmente debilitado — pode não se tratar de um elemento comum da fauna amazônica e regional, mas sim de um ser humano encantado, enviado com o propósito de causar mal aos habitantes da aldeia.
Trata-se de uma dimensão cosmológica e espiritual respeitada pelos próprios indígenas, cercada por um mutismo absoluto entre a população envolvente quando o assunto toca o campo do sobrenatural. A cultura e as crenças tradicionais, assentadas na ancestralidade do povo Munduruku, permanecem como pilares fundamentais de sua identidade e merecem pleno respeito.
Algo curioso, na imagem é que salvo engano os indigenas Munduruyku não fazem uso para alimentação da carne de onça,e a imagem acima mostra o animal sendo cortado em partes como se fosse ser dividido entre os comunitários
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FONTE/CRÉDITOS: Walter Azevedo Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Azevedo Tertulino
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