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Quinta-feira, 22 de Outubro 2026
GOVERNO DO PARÁ REALIZA CONSULTAS COM POVOS TRADICIONAIS SOBRE MERCADO DE CARBONO, MAS MODELO ENFRENTA QUESTIONAMENTO DO MPF
Meio Ambiente

GOVERNO DO PARÁ REALIZA CONSULTAS COM POVOS TRADICIONAIS SOBRE MERCADO DE CARBONO, MAS MODELO ENFRENTA QUESTIONAMENTO DO MPF

Processo de Consulta Livre, Prévia e Informada debate o financiamento climático no estado, enquanto órgãos de controle apontam riscos na condução do diálogo com comunidades da Amazônia.

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ALDEIA SAI CINZA/JACAREACANGA(PA), 21Out'2026 às 16hs21' - A Consulta e Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) é um processo de escuta promovido pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas). A iniciativa visa dialogar diretamente com povos indígenas, comunidades quilombolas e agricultores familiares do estado. Neste dia na Aldeia Sai Cinza está ocorrendo presentemente uma reunião na comunidade para  que fará parete de reuniões subsequentes até o entendimento sobre a questão atingir o entendimento de todos. Paralelo às discussões o MPF está  apostos para garantir  que o direito dos indigenas sobre a questão mereça  amplo entendimento por parte da comunidade. 

Amparada legalmente pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a CLPI é um direito internacional assegurado a esses povos, garantindo que qualquer decisão governamental ou projeto que afete seus territórios e modos de vida seja debatido e aprovado por eles com antecedência.

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No Pará, as rodadas de diálogo têm como foco central o Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+). Essa política pública estadual de financiamento climático visa combater o desmatamento e a degradação florestal, permitindo a geração e venda de créditos de carbono em larga escala. As conversas buscam definir as regras de funcionamento desse mercado, a justa repartição dos benefícios financeiros gerados e as garantias de proteção socioambiental para as comunidades.

Como controvérsias e questionamentos apesar de o processo abranger dezenas de encontros em diversas regiões do estado, a condução do programa tem gerado debates acalorados. Órgãos de controle, como o Ministério Público Federal (MPF), além de entidades de defesa dos direitos humanos, têm questionado aspectos da metodologia aplicada pela Semas. Entre as principais preocupações estão a falta de profundidade de algumas etapas de escuta e os riscos de violação de direitos territoriais e culturais dos povos tradicionais frente aos acordos de crédito de carbono.

Sistema de credito de carbono
Sistema de credito de carbono
Remendo RP
A coletividade Munduruku com bastante interesse está tentando conhecer melhor  o processo  da consulta e consentimento livre para com a evolução  do conhecimento buscarem meios que possam favorecer a negociação  do crédito carbono de sua extensa área de terra. De forma decidida o Ministerio Público Federal encontra-se de olho na evolução das consultas em defesa dos indigenas. Tá certo!
Sem sombra de dúvidas, o Povo Munduruku encontra-se hoje em uma situação de profundo desamparo socioeconômico. Ao longo das décadas, as comunidades locais viram exaurir-se, sucessivamente, os ciclos econômicos que garantiam sua subsistência e dinamizavam a região: desde o antigo comércio e caça para retirada de peles de animais silvestres, passando pela extração de seivas e cipós, até chegar, mais recentemente, à atividade garimpeira.

A desmobilização da atividade do garimpo — na qual muitos se viram obrigados a se inserir por absoluta falta de opção — provocou um colapso na circulação de recursos dentro do território. Historicamente, a atuação do Governo Federal restringiu-se ao repasse de verbas constitucionais obrigatórias e à prestação de serviços básicos de assistência social. Contudo, nunca houve um plano de estado voltado a preparar, capacitar ou estruturar o Povo Munduruku para enfrentar essas inevitáveis transições econômicas e ambientais.

Diante desse cenário de esgotamento e abandono, os mecanismos de pagamento por serviços ambientais, como o crédito de carbono, surgem hoje não apenas como uma pauta ambiental, mas como a principal — e talvez única — alternativa viável em curto prazo para movimentar e aquecer a economia tribal de forma sustentável.

A ausência ou o fracasso de propostas concretas de renda para a região trará consequências devastadoras. O resultado inevitável será um forte êxodo populacional: famílias inteiras serão forçadas a migrar para centros urbanos e distritos vizinhos, como Apuí e Sucunduri (no Amazonas), além de Itaituba e a própria sede municipal de Jacareacanga. Essa migração forçada não resolverá o problema; pelo contrário, apenas alimentará o ciclo de exclusão social, e miséria.

FONTE/CRÉDITOS: Walter Azevedo Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Azevedo Tertulino

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