ITAITUBA(PA), 09Jul2026 +as 19hs59' - Depois de Chapelão, da minha caríssima amiga Elce Amorim — há tanto tempo sem vê-la —, de Bolsonaro da Vila Caçula e de tantos outros "malucos-belezas" que costumam surgir com impressionante intensidade nos períodos de pré-campanha, eis que a crônica política regional ganha mais um personagem digno de registro: o sempre irreverente Filho Nunes.
Em épocas eleitorais, é comum que figuras conhecidas ou pitorescas passem a ser disputadas como se representassem um valioso capital político. Tornam-se peças de composição de projetos eleitorais de mandatários que, diante do desgaste natural do exercício do poder ou da queda de popularidade, procuram construir qualquer ponte capaz de evitar que sejam levados pelas turbulentas águas da rejeição eleitoral.
Quando o cenário começa a indicar dificuldades para a tão desejada reeleição, o desespero costuma falar mais alto. E é justamente nesse ambiente que ressurge, mais uma vez, o impagável Filho Nunes.
Fiel ao seu estilo irreverente e otimista, ele não economiza ousadia. Garante, com a convicção dos grandes sonhadores, que fará a tão esperada ligação entre Itaituba e Miritituba por meio de uma ponte, estendendo os benefícios da obra não apenas à região, mas, segundo sua própria narrativa, aos 144 municípios paraenses.
Sonhar, afinal, nunca foi proibido.
Há quem sonhe profundamente durante a noite, embalado pelo descanso. Outros, entretanto, sonham acordados, transformando desejos pessoais em discursos públicos e promessas que desafiam os limites da realidade.
Enquanto isso, alguns políticos tradicionais parecem enfrentar dificuldades para renovar o discurso. É o caso de Wescley Tomaz, que, diante do desafio de buscar um novo mandato, talvez precisasse reinventar sua estratégia política. A percepção de parte do eleitorado é de que faltam propostas novas e consistentes para convencer aqueles que esperam resultados concretos.
No segmento garimpeiro, por exemplo, permanece um sentimento de frustração. Durante anos foram anunciadas iniciativas voltadas à regulamentação da atividade mineral, considerada fundamental para a economia de grande parte da região do Tapajós. Entretanto, para muitos trabalhadores do setor, as promessas permaneceram apenas no discurso, sem avanços efetivos capazes de modificar a realidade vivida pelos garimpeiros, que frequentemente afirmam sentir-se tratados como criminosos.
Diante desse contexto, surge uma pergunta inevitável aos atuais deputados estaduais que buscarão novamente o voto popular: por que tantas promessas não foram concretizadas durante o mandato? E, caso sejam reeleitos, o que efetivamente farão de diferente para convencer o eleitor de que agora os compromissos sairão do papel?
Nesse cenário, Filho Nunes, que anuncia a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, apresenta-se como alguém que ainda buscará seu primeiro mandato. Justamente por nunca ter exercido a função, tenta construir sua narrativa sobre a expectativa de renovação, contrastando com candidatos que precisarão explicar ao eleitor os resultados — ou a ausência deles — durante seus mandatos.
A política, afinal, também é construída pela comparação entre promessas e realizações.
Por fim, inevitável recordar um episódio da história política regional. O ex-deputado federal Chapadinha conquistou, em seu tempo, uma irrisória votação para Deputado Federal superior a 60 mil votos. A pergunta que fica é inevitável: quantos votos precisará Filho Nunes para transformar seu sonho em realidade?
Será que apenas a Vila Caçula, considerada seu unico reduto eleitoral, conseguiria reunir tamanho contingente de eleitores? Evidentemente que não. Mas, em política, os sonhos costumam anteceder as campanhas, e as campanhas, por sua vez, são o palco onde a imaginação encontra a realidade das urnas.
Até lá, a pré-campanha continuará alimentando a crônica política com personagens, promessas grandiosas e discursos que, muitas vezes, transitam entre o possível, o improvável e o folclórico.
Consultei um cientista político de plantão tão abundante em tempos de eleições, se dentro de seus prognósticos e grande saber das ciências politicas se Filho Nunes teria condições de se eleger Deputada Federal, na resposta tive a certeza que tambem ele era maluco:

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