Cerca de 80 indígenas Munduruku, o povo mais numeroso do Pará, participam da #COP30 em Belém.
Eles denunciam a destruição de seus rios pelo garimpo ilegal e a omissão do poder público.
“A preservação é a única saída — ou voltaremos à lama.”

BELÉM(PA) 10No2.025 - às 03hs53' - A 30ª Conferência das Partes (COP30) começa nesta segunda-feira, 10 de novembro de 2025, em Belém (PA), no Brasil. O encontro global reúne quase todos os Estados-membros das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas para negociar e impulsionar ações climáticas em um momento em que o mundo tenta “acender uma década de aceleração e entrega”, conforme definida pela organização da COP30.
Entre os principais temas em debate, conforme garante a programaçãotão:
A transição energética, com foco na triplicação da capacidade de fontes renováveis e no abandono gradual dos combustíveis fósseis; a adaptação das cidades, infraestruturas e sistemas hídricos aos impactos crescentes da mudança climáticas e o papel central da natureza — especialmente das florestas tropicais — como mecanismo de mitigação dos gases de efeito estufa.
Neste contexto, cerca de 80 indígenas da etnia Munduruku, a mais populosa nação indígena do Pará, embarcaram para Belém com a finalidade de participar das atividades da COP30. A delegação leva à conferência as vozes e as demandas das aldeias situadas nas Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, profundamente afetadas pela degradação ambiental provocada pelo garimpo ilegal ao longo dos últimos anos.

Durante décadas, o território Munduruku foi alvo de intensas atividades garimpeiras, que desmataram extensas áreas, destruíram nascentes e poluíram rios e igarapés com mercúrio e outros rejeitos tóxicos. Embora as operações de desmobilização tenham conseguido reduzir significativamente a presença dos garimpeiros, a atividade clandestina ainda persiste, em menor escala, mantendo viva a ameaça sobre o meio ambiente e sobre a saúde das comunidades.
As águas antes cristalinas do Tapajós e de seus afluentes tornaram-se cinzentas e impróprias para o consumo humano, consequência direta da contaminação e do assoreamento causados pela exploração predatória. Vidas aquáticas (peixes) desapareceram, roçados foram abandonados e parte das famílias se viu obrigada a buscar novas fontes de sustento.
Hoje, as lideranças Munduruku reconhecem que a preservação ambiental é o único caminho possível. Defendem que toda a área degradada, especialmente onde os cursos d’água foram desviados para o garimpo, seja recuperada com urgência, inclusive que sejam extraidos das margens dos rios e que se misturam com as águas desses cursos d'aguas, (igarapés e córregos) as fartas toneladas de ferros retorcidos, calcinados, enferrujados, assustadores amontoados de plásticos de vasilhames expostos uns com misturas de óleos combustíveis e lubrificantes e que seja pensada não somente a questão ambiental e sim a questão de humanidade e que sejam urgentemente criada alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades. Sem isso, alerta-se, há o risco de que indígenas, pressionados pela falta de renda, retornem à atividade garimpeira ou facilitem o ingresso de não indígenas em troca de pequenas compensações.

A presença dos Munduruku na COP30 é mais do que simbólica:
Representa um ato de resistência e protagonismo político. O povo que já viu suas águas serem envenenadas e sua floresta saqueada agora ergue a voz para exigir reparação, proteção e futuro.
Enquanto as grandes nações debatem metas e promessas, os Munduruku lembram que a mudança climática tem rosto, território e urgência e preservar a Amazônia não é apenas uma pauta ambiental, mas uma questão de sobrevivência.— e qu
Apesar da gravidade da situação, o poder público nada fez até o momento para garantir a recuperação ambiental e social das áreas atingidas. Faltam políticas concretas de apoio às comunidades Munduruku, que hoje vivem em condições de extrema vulnerabilidade e miséria, sem alternativas econômicas que lhes permitam produzir renda e sustentar suas famílias com dignidade.
A ausência do Estado se soma à herança da destruição, ampliando o sentimento de abandono e injustiça em um território que, apesar de ferido, ainda resiste — e luta para ser ouvido.
Por <br> **Por Walter Azevedo Tertulino** *Rastilho de Pólvora*
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“A DIFERENÇA ENTRE A PALAVRA CERTA E A PALAVRA QUASE CERTA, É A DIFERENÇA ENTRE O RELÂMPAGO E O VAGALUME
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