
O vereador Enfermeiro Frank (MDB), de Mojuí dos Campos, no oeste do Pará, detalhou ao JC como foi enganado por um esquema criminoso que tem mirado políticos da região, conforme o portal revelou neste sábado (13).
Ao relatar a estratégia ardilosa utilizada pela quadrilha para extorqui-lo, Franklin Benjamin Portela Machado, 43 anos, tenta evitar que outras possíveis vítimas da quadrilha ao esmiuçar a sofisticação da fraude.
“Ele [o golpista] usa a prerrogativa de juiz, se dizendo fazer ações sociais em município e passando por magistrado”, explicou Frank.
Como o golpe foi executado
Fica claro como a quadrilha instrumentaliza o nome do juiz Flávio Oliveira Launde, da comarca de Santarém, para ganhar a confiança das autoridades locais.
Para convencer o parlamentar de que o contato era legítimo e que havia dinheiro envolvido, a quadrilha enviou um falso comprovante de transferência eletrônica. O documento forjado, com data do dia 12 de junho último, exibia um suposto depósito no valor de R$ 3.330,00 destinado à conta da Caixa Econômica Federal em nome civil do vereador, Franklin Benjamin Portela Machado.
Para dar um ar de oficialidade, o remetente fictício no documento constava como “SISTEMA JURÍDICO GOV”.
O golpe se concretiza na simulação de um erro administrativo. Após o envio do falso recibo, o golpista contata a vítima desesperadamente, alegando que houve um equívoco no repasse da suposta verba.
“Depois ele faz um ted como ajuda de custo da justiça e fala que cometeu um erro na transferência que MANDOU a mais e pede pra pessoa ressarci o Pix que irá cair em sua conta”, relatou a vítima.
Pressão e cobrança via WhatsApp
A tática dos estelionatários envolve criar um cenário de urgência, não dando tempo para que a vítima verifique seu próprio extrato bancário.
Registros das conversas por aplicativo de mensagens mostram a insistência dos criminosos. O perfil falso, identificado na agenda como “Dr. Flavio Oliveira” e portando uma foto de perfil em trajes formais, realizou diversas ligações de voz consecutivas pelo WhatsApp, que não foram atendidas.
Sem conseguir falar por voz, o golpista enviou os dados bancários cobrando a suposta devolução imediata da diferença do valor enviado “a mais”. A mensagem exigia uma transferência via Pix de R$ 1.730,00, destinada a uma conta do banco Stone PJ em nome de um terceiro, Luan Castter Almeida Martins.
O episódio reforça o alerta às lideranças políticas e gestores da região oeste do estado sobre a importância de desconfiar de contatos não oficiais e de sempre confirmar a veracidade de transferências diretamente nos canais bancários antes de realizar qualquer estorno de valores solicitados por mensagens de texto.
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