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Sexta-feira, 14 de Agosto 2026
ENTRE O MANDO E A ALIANÇA, OS CAMINHOS DA VELHA POLÍTICA EM ITAITUBA
Política

ENTRE O MANDO E A ALIANÇA, OS CAMINHOS DA VELHA POLÍTICA EM ITAITUBA

Entre alianças, rompimentos, reencontros e disputas pelo poder, velhos métodos continuam encontrando espaço no cenário político do município.

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A VELHA POLÍTICA PERPETUA-SE EM ITAITUBA

A velha politica  ficando velha
A velha politica ficando velha

ITAITUBA(PA), 14Ago'2026 às 03hs57' - A política partidária vigente ainda carrega nuances, métodos e práticas que remetem à velha máxima popularizada pela chamada “Lei de Gérson”: a ideia de que, em tudo, é preciso levar vantagem. É nesse ambiente que sobrevive aquilo que se convencionou chamar de velha política — uma política marcada pelo personalismo, pelo mandonismo, pelo pragmatismo eleitoral e, muitas vezes, pela prevalência dos interesses individuais ou de grupos sobre aquilo que deveria ser o interesse coletivo.

Não se trata apenas de uma política ultrapassada pelo tempo. Trata-se de uma maneira de fazer política que soube se reinventar. Mudaram os meios, os discursos e as ferramentas de comunicação, mas determinadas práticas permanecem. O voto, que deveria representar a manifestação soberana e consciente do cidadão, muitas vezes acaba submetido a relações de dependência, favores, promessas, interesses locais e estruturas de poder cuidadosamente construídas ao longo dos anos.

É nesse ponto que a velha política encontra terreno fértil.

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Não se está falando aqui da política nacional brasileira, mas de um recorte muito mais próximo: o Pará e, particularmente, o cenário político de Itaituba. É nesse universo regional que velhos métodos continuam encontrando espaço e novos adeptos, em uma espécie de renovação permanente das mesmas práticas.

O coronelismo clássico pode ter perdido a forma tradicional, mas o mandonismo político ainda encontra maneiras de sobreviver. Já não é necessariamente o coronel sentado à varanda de sua propriedade, determinando o destino de uma comunidade. É o líder político que concentra influência, controla espaços, articula apoios e, direta ou indiretamente, consegue fazer prevalecer sua vontade.

A ordem mudou de roupa, mas, em determinados ambientes, continua sendo ordem: “faça isso”, “apoie aquilo”, “vá por este caminho”. E muitos obedecem.

Entre o engenho e o  quilombo político, é justamente nas entrelinhas desse cenário que se pode compreender parte da história recente da política local. A metáfora é inevitável: de um lado, o “senhor do engenho”; de outro, aqueles que, em determinado momento, ensaiam uma fuga do domínio político, procuram construir seu próprio espaço e tentam erguer o próprio “quilombo” eleitoral.

Mas, na política, como na vida, nem toda ruptura é definitiva.

Quando as circunstâncias mudam, antigos adversários podem voltar a conversar. Quem um dia se apresentou como alternativa ao grupo dominante pode, mais adiante, reencontrar o caminho do antigo senhorio político. Não necessariamente por convicção ideológica, mas pela matemática do poder: votos, alianças, sobrevivência eleitoral, espaços de influência e conveniências recíprocas.

E assim, entre abraços, afagos e acordos, aquilo que parecia uma ruptura definitiva pode transformar-se em reaproximação.

É uma das faces mais conhecidas da velha política: hoje adversários, amanhã aliados; ontem oposição, hoje composição.

O retorno de Valmir Ckimaco, é nesse contexto que surge o retorno anunciado à disputa política. Na prática, trata-se menos de um retorno do que da retomada de uma atividade da qual, politicamente, jamais teria se afastado completamente mesmo em tempo pretérito tendo garanttido isso!

Ex-prefeito de Itaituba, Climaco construiu ao longo de sua trajetória um capital político expressivo e uma imagem associada ao comando, à autoridade e à capacidade de articulação. Seus apoiadores destacam sua experiência administrativa e sua influência política; seus críticos, por outro lado, frequentemente associam seu estilo à centralização das decisões e ao forte personalismo.

Agora, a possibilidade de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará, a ALEPA, coloca uma questão inevitável: como um político acostumado ao Executivo municipal e à lógica do comando se comportará dentro de uma instituição cuja natureza é essencialmente decidida pela maioria? A Assembleia Legislativa não é uma prefeitura!

Na prefeitura, o chefe do Executivo possui prerrogativas próprias para administrar, determinar, executar e comandar uma estrutura administrativa. Na Assembleia, o deputado é parte de um colegiado. Precisa negociar, construir maioria, discutir projetos, ouvir posições divergentes, votar e, sobretudo, conviver com parlamentares que possuem autonomia política.

É uma mudança significativa de ambiente.

A pergunta, portanto, não é apenas se Valmir Climaco conseguirá chegar à ALEPA. O capital político acumulado ao longo dos anos poderá ser um importante instrumento eleitoral. A questão mais interessante é outra: 

Como será a convivência entre um estilo político fortemente associado ao comando e uma instituição em que o convencimento precisa substituir a simples determinação?

A resposta estará na prática, caso a candidatura se confirme e eventual eleição se concretize.

O poder que gravita ao redo do chefe tem que ter facil entendimento, a força de uma liderança política não se mede apenas pela quantidade de votos que possui. Mede-se também pela capacidade de fazer com que outros políticos gravitem ao seu redor.

É nesse aspecto que os movimentos recentes da política de Itaituba despertam atenção.

Nicodemos Aguiar, por exemplo, chegou à Prefeitura com apoio político de Valmir Climaco e, segundo a percepção apresentada no debate local, sua administração vem sendo marcada por intensa movimentação de obras e investimentos. Essa avaliação, naturalmente, pode e deve ser confrontada com dados objetivos, indicadores administrativos e a percepção da própria população.

Mas o ponto político é outro: até onde vai a autonomia de quem chega ao poder apoiado por uma liderança de grande capital eleitoral?

Essa é uma pergunta que ultrapassa nomes.

Na velha política, o apoio raramente é apresentado como uma relação de dependência. Ele costuma ser chamado de parceria, composição, aliança ou compromisso. E pode efetivamente ser tudo isso. O problema surge quando a parceria deixa de ser horizontal e passa a pressupor obediência.

É aí que a política institucional corre o risco de transformar aliados em seguidores.

Nesse tabuleiro, também merece atenção a situação de Hilton Aguiar  que parece atropelado. Caso se confirme a estratégia política atribuída a Valmir Climaco, parte de seu capital eleitoral poderá disputar espaço com candidaturas que tradicionalmente possuem influência na região.

A política, afinal, também é matemática.

Cada liderança procura somar votos, ampliar sua área de influência e reduzir o espaço ocupado pelos adversários. Em uma eleição proporcional, como a de deputado estadual, alianças e transferências de votos podem alterar significativamente o equilíbrio entre candidaturas.

Por isso, falar em “atropelamento político” é uma interpretação. O que existe objetivamente é uma disputa por espaço, eleitorado, alianças e capital político. O resultado será conhecido somente nas urnas.

Wescley Tomaz e as voltas da política - Outro capítulo desse enredo envolve o deputado estadualTomaz.

Sua trajetória recente também ilustra uma característica recorrente da política: alianças que parecem definitivas podem ser revistas quando os interesses estratégicos mudam.

Tomaz construiu sua imagem política em uma posição de forte oposição ao grupo Barbalho e, durante determinado período, esteve identificado com o campo bolsonarista. Posteriormente, aproximou-se do grupo político ligado ao MDB e ao então governador Helder Barbalho.

O episódio, entretanto, demonstra como a política pode ser dinâmica e como alianças aparentemente improváveis podem acontecer quando existe convergência de interesses.

Se posteriormente houve afastamento ou mudança de apoio, isso também faz parte da lógica política.

Para o eleitor, contudo, fica uma questão fundamental: onde termina a convicção política e começa a conveniência eleitoral?

Essa pergunta não deveria ser feita apenas sobre Wescley Tomaz. Deveria ser feita sobre todos os políticos. Porque a velha política não pertence a um partido específico. Ela é um método.

E então surge mais uma peça nesse tabuleiro: Israel Santos.

Tendo participado anteriormente de uma chapa eleitoral ao lado de Wescley Tomaz e estando em um campo político que se confrontava com o grupo de Valmir Climaco, sua aproximação com o ex-prefeito chama atenção justamente pela mudança de cenário.

O reencontro pode ser interpretado de várias maneiras.

Pode ser reconciliação. Pode ser pragmatismo. Pode ser uma nova composição política. Pode ser simplesmente uma aproximação entre antigos adversários que entenderam que, naquele momento, seus interesses convergiam.

Na política, porém, quase sempre existe uma pergunta escondida por trás do abraço: Quem ganha com o abraço?

Para Israel Santos, a aproximação pode representar a recuperação de espaço político e a construção de uma nova possibilidade eleitoral. Para Valmir Climaco, pode significar a incorporação de mais um nome à sua rede de alianças e, consequentemente, mais uma possibilidade de alcançar votos.

Se há gratidão, amizade ou convergência ideológica, somente os próprios envolvidos podem responder.

O eleitor, entretanto, tem o direito de observar. E deve observar.

Porque é justamente quando o cidadão deixa de perguntar que a velha política se fortalece.

A politica do "eu mando!" O grande problema do mandonismo não está simplesmente em um político possuir liderança. Liderança é necessária à política. O problema começa quando liderança se transforma em submissão.

Uma democracia saudável não pode depender da capacidade de um único indivíduo de determinar o comportamento de todos os demais.

Vereadores precisam exercer seus mandatos com independência. Deputados precisam representar seus eleitores. Prefeitos precisam administrar para toda a população. Partidos precisam discutir ideias e programas. E o eleitor precisa ter liberdade para escolher.

Quando o voto deixa de ser instrumento de cidadania e passa a ser moeda de troca, perde-se uma parte essencial da democracia.

O chamado voto de cabresto também mudou de aparência. Hoje, nem sempre existe uma ordem explícita ou uma coerção visível. Às vezes, ela se manifesta de maneira muito mais sofisticada: dependência econômica, promessa de emprego, favores, acesso privilegiado ao poder, relações pessoais, influência comunitária ou simples expectativa de que determinado grupo “vai resolver”.

O eleitor continua votando.

Mas é preciso perguntar: vota por convicção ou por dependência?

Talvez seja esse o grande paradoxo da política contemporânea.A velha política não desapareceu. Ela se modernizou. Utiliza redes sociais, vídeos, pesquisas, grupos de mensagens e discursos renovados. Fala em mudança, renovação e futuro. Mas, por trás das novas palavras, algumas práticas antigas permanecem intactas.

Trocam-se os palanques, mas preservam-se os métodos. Trocam-se os aliados, mas preservam-se os interesses. Trocam-se os discursos, mas, em determinados casos, preserva-se a lógica do poder pelo poder. E Itaituba não está fora dessa realidade.

O que se observa no cenário político local é um jogo permanente de aproximações, afastamentos, rompimentos, reconciliações e novas alianças. Cada personagem movimenta suas peças de acordo com aquilo que considera melhor para sua estratégia eleitoral.

Isso é legítimo dentro da política democrática.

O que precisa ser questionado é outra coisa: 

Até que ponto essas movimentações atendem ao interesse público e a partir de quando passam a atender exclusivamente aos interesses dos grupos que disputam o poder?

Essa resposta pertence ao eleitor.

O verdadeiro dono do voto no fim das contas há algo que nenhum líder político deveria esquecer: o voto não pertence ao chefe político, ao prefeito, ao deputado, ao governador, ao empresário ou ao partido.

O voto pertence ao eleitor.

E talvez seja justamente aí que esteja a possibilidade de romper com a velha política. Não é necessário destruir lideranças. Não é necessário demonizar adversários. Não é necessário transformar a política em guerra permanente.

É preciso apenas devolver ao cidadão aquilo que é dele por direito: a capacidade de escolher livremente, comparar trajetórias, avaliar resultados, cobrar promessas e decidir sem cabresto. Porque, enquanto o eleitor enxergar a política como favor, haverá quem se apresente como dono do favor. Enquanto o voto for tratado como moeda, haverá quem queira comprá-lo. Enquanto a liderança for confundida com submissão, haverá quem queira mandar. E enquanto houver quem aceite que um homem determine o caminho de todos, a velha política continuará encontrando terreno para sobreviver.

Em Itaituba, os personagens podem mudar. As alianças podem mudar. Os partidos podem mudar. Os discursos podem mudar. Mas, se a lógica continuar a mesma, a velha política permanecerá viva.

Ela apenas trocará de roupa.

E, ao que tudo indica, continuará circulando pelos corredores do poder, pelas ruas da cidade e, sobretudo, pelos bastidores das próximas eleições.

A velha política perpetua-se em Itaituba.

Climaco, Hilton, Wescley, Israel, os politicos tratados nestea materia, tambem sabem disso!

FONTE/CRÉDITOS: WALTER AZEVEDO TERTULINO
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): WALTER AZEVEDO TERTULINO

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