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Quarta-feira, 12 de Agosto 2026
O CONVITE DE HÉLDER BARBALHO A VALMIR, PODE EMBARALHAR O JOGO POLÍTICO DE ITAITUBA
Política

O CONVITE DE HÉLDER BARBALHO A VALMIR, PODE EMBARALHAR O JOGO POLÍTICO DE ITAITUBA

Uma eventual candidatura do ex-prefeito à Alepa poderá provocar reações de Hilton Aguiar e Wescley Tomaz, abrir uma disputa dentro do próprio campo político e, de quebra, entregar ao eleitor a liberdade de escolher quem quiser

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Helder Barbalho e Valmir Climaco
Helder Barbalho e Valmir Climaco

BELÉM(PA), 12Ago'2026 às 03hs11' - A política partidária, definitivamente, não é para amadores. É um jogo em que se arma e desarma, se sobe e se desce, se ataca e se defende. Hoje se abraça, amanhã se afasta. Agrega, separa, acolhe, rejeita e, principalmente, cobra caro daqueles que imaginam ter compreendido todas as suas regras.

É nesse ambiente de movimentos silenciosos, conversas reservadas e cálculos eleitorais que a possível aproximação do governador Helder Barbalho com o ex-prefeito de Itaituba, Valmir Climaco, ganha contornos que ultrapassam uma simples conversa sobre candidatura.

Se a articulação para levar Valmir à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará se confirmar, o movimento poderá produzir um efeito político imediato: mexer em um tabuleiro que já possui peças posicionadas e, sobretudo, provocar inconformismo entre lideranças que também pretendem disputar espaço eleitoral no campo majoritário.

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E aí entram dois nomes conhecidos do eleitorado de Itaituba: Hilton Aguiar e Wescley Tomaz.

A eventual entrada de Valmir na corrida para a Alepa não seria uma candidatura qualquer. O ex-prefeito possui capital político próprio e uma trajetória construída ao longo de anos no município. Levantamentos anteriores já registraram a força de diferentes nomes ligados à disputa estadual em Itaituba, demonstrando que o município é um terreno eleitoral relevante e capaz de produzir votações expressivas dentro de sua densidade  de eleitores.

Valmir: convidado ou peça de contenção?A pergunta que circula nos bastidores é inevitável: por que Valmir?

Se a resposta for apenas eleitoral, a matemática parece simples. Um nome com presença política em Itaituba poderia ajudar a ampliar a base do grupo de Helder e, consequentemente, contribuir para o projeto de sucessão estadual.. Mas política raramente é apenas matemática.

Valmir conhece o Executivo com profundidade, conhece o município e conhece, sobretudo, o comportamento do eleitor. Durante sua trajetória como prefeito, manteve relações institucionais com diferentes governos e lideranças.  [E evidente e de domínio público sua proximidade institucional com Helder Barbalho quando este esteve à frente do Governo do Pará.

A eventual candidatura à ALEPA, entretanto, colocaria Valmir em uma posição diferente daquela à qual está acostumado.

No Executivo, manda quem tem a caneta. No Legislativo, a lógica é outra: negocia-se, articula-se, constrói-se maioria e divide-se espaço.

E Valmir, para quem conhece sua trajetória política, sempre pareceu mais confortável na posição de quem decide do que na de quem recebe ordens. Talvez seja justamente aí que esteja a maior incógnita dessa possível operação política.

Barrados no baile?
Barrados no baile?
E Hilton e Wescley?

Se Valmir aceitar o convite e entrar efetivamente na disputa pela Assembleia Legislativa, a reação de Hilton Aguiar e Wescley Tomaz será um dos capítulos mais interessantes dessa eleição.

Não porque necessariamente os dois estejam obrigados a romper com o grupo de Helder, mas porque política também é feita de espaço.

Quando três lideranças fortes disputam o mesmo território eleitoral, ninguém pode garantir que todos permanecerão confortavelmente acomodados no mesmo palanque.

Hilton possui história política própria em Itaituba. Wescley, por sua vez, também construiu uma base eleitoral. Na eleição de 2022, por exemplo, Wescley foi o deputado estadual mais votado no município, enquanto Hilton ficou em segundo lugar entre os candidatos à ALEPA.

Portanto, colocar Valmir nesse mesmo tabuleiro significa mexer em uma equação que já era complexa. E, se o desconforto transformar-se em reação política, o resultado poderá ser uma reacomodação das alianças.

Imagine-se o cenário: Valmir entra na disputa; Hilton não aceita perder espaço; Wescley também não abre mão de sua posição; e os três passam a buscar votos dentro de um eleitorado que, até aqui, poderia ser trabalhado de maneira mais coordenada.

O que acontece? -O eleitor ganha opções.

E quando o eleitor ganha opções, as estruturas partidárias perdem parte da capacidade de determinar previamente o resultado.

É justamente nesse ponto que uma eventual crise dentro da base poderá produzir um efeito inesperado para a disputa majoritária.

Porque, se Hilton e Wescley se sentirem politicamente deslocados e decidirem construir seus próprios caminhos, poderão buscar alianças fora do arranjo original.

E, nesse caso, o campo majoritário ficaria mais aberto.

O eleitor de Itaituba poderia votar em quem quisesse para deputado estadual, sem necessariamente seguir uma orientação única de grupo.

E, nessa eventualidade, há dois nomes que poderiam assistir à movimentação com especial atenção: Dr. Daniel e Ellayne. Solenemente, poderiam agradecer.

A história política ensina que nenhum espaço permanece vazio por muito tempo.

Se uma liderança sente que perdeu espaço, procura outro caminho. Se um partido fecha uma porta, outro grupo pode abrir uma janela. Se uma candidatura é considerada inconveniente por determinado grupo, pode encontrar abrigo justamente onde antes parecia improvável. É assim que alianças improváveis nascem.

E Itaituba já demonstrou que não é um município politicamente previsível. A própria trajetória recente mostra que as relações entre Valmir, Hilton e Wescley foram marcadas por disputas, aproximações e rearranjos. Levantamentos eleitorais anteriores já apontavam a força de Wescley e Hilton no cenário municipal, enquanto Valmir aparecia como liderança com capacidade de influenciar a escolha do eleitor. Por isso, qualquer movimento envolvendo esses três personagens merece atenção.

O convite que pode custar caro será se intenção de Helder for realmente atrair Valmir para a Alepa, o ex-governador pode estar tentando resolver um problema e, involuntariamente, criando outro. A política é assim.

Ao tentar fortalecer uma candidatura, pode-se enfraquecer outra. Ao buscar um aliado, pode-se desagradar antigos companheiros. Ao acomodar uma liderança, pode-se desalojar duas.

E é justamente aí que mora o perigo de determinadas articulações.

Valmir pode aceitar o convite. Hilton pode reagir. Wescley pode reagir também. E, se ambos decidirem que não há mais espaço suficiente no mesmo projeto, a eleição poderá ganhar uma dinâmica completamente diferente.

Daniel e Ellayne, por exemplo, podem simplesmente agradecer.

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