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Quinta-feira, 20 de Agosto 2026
JACAREACANGA: NA POLÍTICA, TIRAR O LUGAR DO OUTRO NÃO É LIDERANÇA — É ESCOLHA DE CARÁTER
Política

JACAREACANGA: NA POLÍTICA, TIRAR O LUGAR DO OUTRO NÃO É LIDERANÇA — É ESCOLHA DE CARÁTER

Enquanto demandas de diversos parlamentares são sumariamente ignoradas, obras e serviços só saem do papel com o aval de Silvio Paco Paco, revelando um governo refém do medo

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Prestígio, caráter e o espaço que pertence a todos

JACAREACANGA (PA), 19Ago2.026 às 14h39 Prestígio político não deveria ser medido pela capacidade de um indivíduo ocupar todos os espaços, tampouco pela proximidade que mantém com o chefe do Executivo. Em uma democracia, verdadeira grandeza política está, sobretudo, na capacidade de construir pontes, reconhecer o trabalho dos colegas e compreender que nenhuma conquista pertence exclusivamente a quem consegue anunciá-la primeiro, por gostar de aparecer, sendo midiático, proximo ao ridiculo.

Em Jacareacanga, entretanto, cresce entre parlamentares e moradores a percepção de que determinados vereadores possuem maior acesso e trânsito junto à administração municipal do que outros. O vereador Silvio Stédile, conhecido popularmente como Paco Paco, é frequentemente citado nesse contexto, especialmente pela proximidade que demonstra manter com o prefeito municipal.

O problema, porém, não está necessariamente em alguém possuir bom relacionamento com o prefeito. Pelo contrário: diálogo, proximidade e capacidade de articulação são instrumentos legítimos da política. A questão começa quando essa proximidade passa a criar a impressão de que o trabalho de um representante precisa ser apresentado, intermediado ou legitimado por outro para que uma reivindicação da população seja efetivamente atendida.

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É justamente nesse ponto que a discussão deixa de ser sobre prestígio e passa a ser sobre caráter.

Em uma Câmara Municipal, cada vereador recebeu do eleitor uma parcela de responsabilidade para representar a comunidade. Quando um parlamentar apresenta uma indicação, um requerimento ou uma reivindicação, ele não está defendendo um interesse particular: está levando ao Executivo uma demanda que, em princípio, pertence à população.

Por isso, quando uma obra ou serviço é realizado a partir de uma reivindicação apresentada por determinado vereador, seria politicamente mais nobre reconhecer que aquela conquista pertence, antes de tudo, à comunidade que dela necessita. Se outro parlamentar também trabalhou pela mesma causa, seu esforço igualmente merece ser reconhecido, e destacado pelo contumaz midiático

A política não deveria funcionar como uma disputa para saber quem coloca a placa, quem tira a fotografia ou quem aparece primeiro nas redes sociais. A verdadeira liderança está em conseguir uma melhoria para a população mesmo quando o mérito não será exclusivamente seu. 

Esse princípio ganha importância diante das reclamações de vereadores que afirmam ter apresentado reivindicações relacionadas à recuperação do sistema viário, às estradas vicinais e à iluminação pública em Mamãe-Anã, sem obter, segundo seus relatos, a mesma receptividade concedida a outros parlamentares, e ao final após parcial rcuperação Sua Excelencia o Vereador Paco Paco usa a mídia  para mostrar um feito  que seria  de sua iniciativa.

Um episódio envolvendo a comunidade de Mamãe-Anã ilustra essa percepção. Vereadores vinham cobrando melhorias na infraestrutura local e, diante da insatisfação dos moradores, o vereador Gersinho chegou a mencionar a possibilidade de participar de manifestações da comunidade, inclusive com o bloqueio do acesso à Transamazônica. Na mesma direção, o presidente da Câmara, acompanhado dos vereadores Rui e Xavier, reivindicou melhorias na iluminação pública da localidade.  -Vejam bem no trabalho de reinvindicar melhorias para Mamãe-Anã  ja se somavam 4 vereadores nesse trabalho: Everton Ataújo, Gersinho, Xavier, e  Rui Baima. 

Posteriormente, o vereador Paco Paco apareceu nas redes sociais agradecendo ao prefeito pela execução da iluminação, apresentando a realização como resultado de sua solicitação.

Independentemente de quem tenha feito a solicitação formal ou de quem tenha conseguido estabelecer a interlocução final com o Executivo, há uma pergunta que merece ser feita:

Por que uma conquista coletiva precisa necessariamente ser transformada em conquista individual?

Essa é uma questão que ultrapassa nomes, partidos e mandatos.

Quando vários representantes trabalham por uma mesma demanda, reconhecer a participação de todos não diminui ninguém. Ao contrário, demonstra segurança, maturidade e grandeza. Quem tem caráter não precisa apagar a contribuição do outro para que sua própria contribuição seja reconhecida.

Outro episódio citado por parlamentares envolve os vereadores Everton Araújo e Neumar Xavier, que denunciaram publicamente a paralisação de uma motoniveladora que, segundo eles, estaria há semanas sem funcionamento, prejudicando os trabalhos na vicinal do Cumbica.

A frase,  carregada de iverdade, revela uma percepção que merece ser discutida com seriedade: nenhum vereador deveria precisar ocupar o lugar político de outro para que uma reivindicação legítima da população seja ouvida.

O Executivo municipal tem suas próprias responsabilidades, assim como o Legislativo. Cabe aos vereadores fiscalizar, cobrar, propor e representar. Cabe ao prefeito administrar e executar as políticas públicas de acordo com as prioridades, os recursos disponíveis e as necessidades do município. Quando essas funções são respeitadas, a democracia funciona melhor.

O que não contribui para a vida pública é transformar a política em uma espécie de competição permanente por protagonismo.

Também não se trata de retirar o mérito de quem efetivamente trabalhou por uma determinada conquista. Se o vereador Paco Paco conseguiu abrir portas, dialogar com o Executivo e contribuir para que determinada obra fosse realizada, esse trabalho pode e deve ser reconhecido. O reconhecimento, porém, não precisa significar a exclusão dos demais.

Essa talvez seja a diferença entre prestígio e grandeza.

Prestígio pode ser conquistado pela proximidade, pela influência e pela capacidade de articulação. Grandeza, entretanto, revela-se quando alguém utiliza essa influência para abrir portas também para os outros, em vez de fechá-las.

O verdadeiro líder não precisa ocupar todos os espaços. Muitas vezes, sua maior demonstração de força está justamente em saber ceder espaço.

E ceder espaço não significa perder importância. Significa compreender que o mandato não é propriedade pessoal. O vereador é passageiro; a comunidade permanece. A obra permanece. A estrada permanece. A iluminação permanece. E, principalmente, permanece o direito do cidadão de ter suas necessidades atendidas, independentemente de qual vereador tenha feito a reivindicação.

Jacareacanga precisa de representantes capazes de compreender que a política não pode ser uma disputa de vaidades. A população não deveria precisar escolher entre o vereador A e o vereador B para saber quem merece o crédito por uma melhoria. Se vários agentes públicos trabalharam pela mesma causa, todos podem ser reconhecidos — e, acima de todos eles, deve estar a própria população.

Em municípios que enfrentam dificuldades históricas de infraestrutura, serviços públicos e indicadores sociais, a energia da classe política deveria estar concentrada em solucionar problemas, não em disputar protagonismo.

O momento exige menos preocupação com quem aparece e mais compromisso com quem precisa.

Porque, no fim das contas, tirar o lugar do outro para ocupar o centro da fotografia pode até produzir prestígio momentâneo. Mas saber reconhecer o lugar do outro, dividir méritos e permitir que todos cumpram dignamente o papel para o qual foram eleitos é uma questão de caráter.

E caráter, na vida pública, vale muito mais do que qualquer fotografia, agradecimento ou demonstração de prestígio.

O cidadão não precisa de donos de obras. Precisa de representantes. Não precisa de padrinhos. Precisa de gestores e vereadores que cumpram suas responsabilidades. E não precisa de uma política baseada em quem consegue falar mais alto ou chegar primeiro ao gabinete. Precisa de uma política em que o interesse coletivo esteja acima do protagonismo individual.

No final, uma obra pública não pertence ao vereador que a solicitou, ao prefeito que a autorizou ou ao político que a divulgou. Ela pertence ao povo.

E talvez seja justamente essa compreensão que diferencie o simples prestígio político da verdadeira grandeza pública.

FONTE/CRÉDITOS: Walter Azevedo Tertulino
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Walter Azevedo Tertulino - Imagens extraidas das reds sociais

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