ITAITUBA(PA), 23Ago'2026 às 17hs25' - Poucos, em nosso imenso Pará, podem alegar desconhecer o poder de uma máquina política capaz de desgastar reputações e transformar adversários em alvos de uma disputa eleitoral. Ao longo dos anos, diversos concorrentes que se colocaram diante de um Barbalho conheceram de perto esse ambiente de confronto, marcado por ataques, acusações e narrativas que, muitas vezes, ultrapassam os limites do debate políticoe mesmo da decência.
Almir Gabriel, Simão Jatene e Zequinha Marinhoentre outros, em momentos distintos, enfrentaram a força política do grupo Barbalho. Almir Gabriel e Jatene conseguiram atravessar as armadilhas e dificuldades próprias de disputas eleitorais extremamente acirradas e, mesmo diante de uma máquina política poderosa, obtiveram êxito nas urnas. Zequinha Marinho, por sua vez, acabou derrotado ao enfrentar esse sistema de poder.
A estratégia parece conhecida: para seus críticos, a principal defesa do grupo é o ataque. A lógica política consiste em antecipar-se aos adversários, desconstruindo suas imagens e procurando estabelecer, perante a opinião pública, uma narrativa favorável aos seus interesses eleitorais.
O problema surge quando o adversário político passa a ser tratado como inimigo. A disputa democrática, que deveria privilegiar propostas, ideias e resultados, pode ser substituída pela construção de artifícios e estratégias destinadas exclusivamente a enfraquecer o concorrente.
É nesse contexto que merece atenção o episódio envolvendo o Instituto AtlasIntel e uma pesquisa eleitoral que acabou suspensa pela Justiça. A decisão judicial, por si só, demonstra que havia questionamentos suficientemente relevantes para que o levantamento fosse submetido à análise do Poder Judiciário.
Também merece ser esclarecida a relação contratual entre o instituto e o poder público estadual. Se existem contratos de valores expressivos entre o Estado e empresas ou instituições responsáveis por levantamentos de opinião, é legítimo que a sociedade questione os critérios utilizados, a transparência dessas contratações e a eventual existência de conflitos de interesse. Em uma democracia, pesquisas eleitorais possuem influência considerável sobre a percepção dos eleitores e, justamente por isso, precisam ser produzidas e divulgadas com absoluta transparência e rigor metodológico.
Não se trata apenas de uma discussão sobre números. Pesquisas podem influenciar expectativas, estimular ou desestimular candidaturas, alterar estratégias partidárias e até produzir a sensação de que uma eleição já estaria definida antes mesmo de o eleitor se manifestar.
Por isso, qualquer suspeita de irregularidade precisa ser investigada com seriedade, sem que a acusação política substitua a prova. Da mesma forma, decisões judiciais devem ser respeitadas, independentemente de favorecerem ou prejudicarem determinado grupo político.
No centro dessa disputa está também a tentativa de consolidar uma candidatura e apresentá-la como alternativa natural para a sucessão política no Pará. O grupo liderado por Helder Barbalho pode dispor de estrutura política, recursos e influência institucional, mas nenhuma dessas ferramentas garante o controle sobre a decisão final do eleitor.
O voto continua sendo a expressão mais importante da soberania popular.
Pode-se dominar estruturas partidárias, possuir influência política, ocupar espaços institucionais e ter acesso a mecanismos de comunicação capazes de amplificar determinadas narrativas. O que não se pode, em uma democracia, é controlar a consciência de milhões de eleitores.
É justamente aí que reside o limite de qualquer máquina política: ela pode tentar influenciar a opinião pública, mas não pode determinar a vontade do povo.
No fim, por mais sofisticadas que sejam as estratégias eleitorais, será o eleitor paraense quem terá a palavra final.
A MÁQUINA PODE SER PODEROSA, MAS O VOTO AINDA PERTENCE AO POVO - Doutor Daniel Santos

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