
Imagens Clemisson (pingafogo)
JACAREACANGA(PA), 28Mai'2025 às 06hs10' - No coração do interior paraense, Jacareacanga, o município mais distante da capital, enfrenta um cenário de fragilidade econômica e social. Sobrevivendo unicamente da descentralização de recursos federais para custear áreas essenciais como educação, saúde, desporto, cultura e meio ambiente, a cidade vê sua esperança de desenvolvimento e lazer ser constantemente minada por desafios que vão além da gestão pública.

Já é comum, a já problemática Praça Cristina Ribeiro, um espaço que deveria ser de encontro social e lazer para as famílias, ser alvo de atos de depredação. Este vandalismo causa um histórico de abandono obrigado, pelas familias devido a desordem que transformou a praça em um ponto de encontro para alcoolatras, usuários de drogas e desocupados, palco de brigas e acertos de contas violentos.
UM TRÁGICO CENÁRIO PARA AS PESSOAS DE BEM
A economia de Jacareacanga foi duramente atingida pela desmobilização da atividade garimpeira, que antes era a principal fonte de renda e emprego gerada pela iniciativa privada. Sem um planejamento governamental federal para substituir essa economia, a responsabilidade de distribuir renda e emprego recai quase que exclusivamente sobre a Prefeitura.

Nesse contexto de dificuldades, os moradores de Jacareacanga, antes frequentadores assíduos, viram-se obrigados a abandonar a Praça Cristina Ribeiro, principal praça da cidade. O espaço público, que um dia foi o único local de socialização na cidade, foi tomada por um cenário de degradação. É difícil imaginar um espaço público destinado a encontros sociais, lazer e práticas esportivas, com parquinho infantil, rodeado por bares com farta oferta de bebidas alcoólicas e casas de jogos. A pergunta que não cala é:
Onde ficam as famílias, crianças, adolescentes e jovens nesse ambiente?
A Polícia Militar, mesmo com trabalhos ostensivos, encontra dificuldades em coibir a presença dos chamados "Almas Sebosas" – termo local para os indivíduos envolvidos em atividades marginais. O grande número de desocupados e a necessidade de cobertura policial em outras áreas da cidade, incluindo o combate ao tráfico de drogas na estrada, limitam a eficácia da atuação.
PROMOTORIA DE JUSTIÇA ENTRA EM CENA
A situação alarmante da praça, que se transformou em um "puxadinho do inferno", chamou a atenção do Ministério Público. O Promotor de Justiça Dr. Wesley Brantes reuniu autoridades policiais, entidades classistas e o Conselho Tutelar para avaliar a segurança pública em Jacareacanga. Nesse encontro, um entendimento foi celebrado para intensificar os trabalhos policiais na cidade, com atenção especial à Praça Cristina Ribeiro, para que fosse debelado a presença de malfeitores do local.. O Dr. Wesley asseverou que, em breve, a praça seria reintegrada ao uso da sociedade local, devolvida às famílias.
No entanto, mesmo com a intensificação da fiscalização policial, atos de vandalismo continuam. Não só placas de sinalização de trânsito e lixeiras foram depredadas, e partes de árvores de sombreamento na praça cortadas, como também a nova praça em construção – um projeto arquitetonicamente ousado para a realidade do município, na junção da saída da cidade com a estrada do Aeroporto – foi alvo. Edificações em madeira foram sujas com tintas e pichações, desrespeitando o planejamento e a naturalidade das peças.

VANDALISMO E REVANCHISMO POLÍTICO: A HISTÓRIA SE REPETINDO?
É evidente que esses atos de depredação não parecem ser obra de indivíduos em situação de vulnerabilidade, que vivem de pedir ou vender objetos para sustentar seus vícios. A suspeita de revanchismo político como motivação para essa degradação dos espaços públicos é forte. A Polícia pode considerar essa razão como um fator crucial nas suas INVESTIGAÇÕES E INQUÉRITOS . Aqueles que buscam atingir a gestão municipal acabam penalizando criminalmente as pessoas de bem, impedindo-as de frequentar ambientes saudáveis e sociáveis.
A história da evolução recente político-social de Jacareacanga já presenciou esse "filme", que, infelizmente, parece ser reprisado sempre que as autoridades se descuidam. Um exemplo marcante foi a destruição de uma cruz de madeira no Trevo, símbolo católico, que foi derrubada com motosserra após uma disputa eleitoral. Mais tarde, árvores recém-plantadas em revitalizações de praças foram continuamente depredadas por simpatizantes de candidatos derrotados, ocorrendo até meios fios de vias públicas destruidos.
É uma "burrice" tentar atingir a gestão atual do prefeito Valdo do Posto através da depredação do patrimônio público. Ele foi eleito em seu primeiro mandato com expressiva diferença de votos e reeleito de forma ainda mais destacada, concorrendo contra quatro candidatos. Os inconformados deveriam recorrer aos tribunais legais para contestar sua vitória, não se vingar destruindo o espaço público que deveria servir a todos.
Atingir bens patrimoniais que seriam para o conforto das próprias famílias demonstra uma incapacidade de aceitar a derrota. Quem não sabe perder, dificilmente contribuirá para a construção de um lugar humanizado como uma praça.

